Desconectado

Fui privado de escrever por alguns dias. Meu computador, surpreendentemente, parou de se conectar a internet, deixando-me à mercê das teclas que organizam minhas ideias.

Perdi uma chuva linda que me inspirou à beça naquele momento. Mas toda inspiração se esvaiu no dia seguinte. Lembro-me apenas das folhas das árvores molhadas pela janela. Era notória tamanha felicidade.

Perdi também grandes reflexões sobre assuntos variados. Textos que nem sequer nasceram. Foram abortados à força na mais violenta falta de internet. Como se eu precisasse dela para escrever...

Eis, então, que surge o questionamento: será que só consigo escrever dessa forma? Conectado? Que tipo de escritor sou eu?

O de meia tigela, só pode. Incapaz de pegar uma caneta e um caderno. Ou até mesmo, o celular. Mas que derrota escrever pelo celular. É como tentar ver o horizonte por uma janela pequena. 

De fato, com as teclas do computador me sinto mais à vontade, tenho mais autonomia e não corro o risco de minha letra ficar feia, pois, convenhamos, às vezes ela fica, e muito.

Com a caneta eu fico muito preso aos detalhes e ao esforço empregado na letra cursiva. Acabo perdendo o fluxo reflexivo capaz de organizar minhas ideias em frases. Tudo bem! Vou deixar de usar a expressão "palavras desorientadas". Está saturada. Já usei demais. 

E o que tem se eu usá-la de novo? Nada. Mas preciso me renovar. Buscar coisas novas e adaptar minha escrita a outras formas. Se perdi uma inspiradora chuva da qual poderia extrair lindos textos, outras virão. Só não posso me privar, afinal, existe um escritor além das teclas dessa máquina que ora funciona, ora não.

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