Que Confusão

Que vontade de escrever que tive ontem. Não sei por que não escrevi. 

Na verdade, sei, sim. Ontem, antes de dormir, deitei-me com a face para cima e fechei meus olhos um instante.

Havia muita confusão em minha mente. Muito barulho. 

Então, tapei os ouvidos com os dedos e tentei relaxar.

Os barulhos aumentavam. Eram como trovoadas estremecendo minha cabeça. Até os raios cortando o breu eu conseguia ver.

Tentava mudar o cenário em vão. Multidões não paravam de falar. Vez ou outra me encontrava sobre as ondas de um oceano enfurecido. Até mesmo um vulcão em erupção surgia diante de mim com lavas jorrando para todos os lados.

Quanta perturbação. Algo gritava. Talvez meu dia tivesse sido bem intenso, mas não... Nada disso. Era barulho interno mesmo. Do qual não consegui me livrar, pelo menos não àquele instante.

Lembro-me exatamente da sensação. Eu balançava de um lado ao outro estando imóvel. Eu sentia os tremores. Eu os via, ainda que meus olhos estivessem fechados. 

Foi uma luta interna. Havia pessoas por lá. Muitas! Mas eu não as conhecia. Elas me empurravam e eu tentava sair daquela confusão. Olhava para o céu e via os raios cortando ponta a ponta.

O vento ficava cada vez mais forte. As ruas se apertavam. As janelas batiam. Que confusão.

De repente, estava só. Mas tudo se movia. As pessoas tinham desaparecido. Mas os barulhos não.

Algo pequeno se fazia grande. Me sentia ameaçado e desprotegido. Queria chorar mais não chorava.

Um aperto no peito me consumia. Grandes instrumentos de ferro se materializavam; tudo extremamente grosseiro. Quando eu menos esperava, a confusão desaparecia dando espaço a uma pluma soprada pelo vento. 

Uma horrível sensação tomou conta do meu peito. A pluma dirigia-se pouco a pouco para o chão. Tudo estava vazio e tenebroso. E quando ela finalmente tocava a superfície, a confusão voltava intensificada. 

Carretas e tratores pesadíssimos cortavam estradas em velocidade absurdamente elevada. Suas buzinas podiam ser ouvidas ao longe. Um medo de acidente nascia das cinzas. 

Eu não estava sonhando. Apenas havia fechado os olhos. 

Comecei a chorar compulsivamente. 

Uma dor de cabeça se avassalou em mim. A confusão não cessava. Aumentava até desaparecer por um instante como a pluma descrita. Depois surgia como um tsunami me engolindo.

Foi tomado por uma onda de calor e dirigi-me ao banheiro para lavar o rosto.

Abri a torneira e enchi as mãos com água. Um calafrio se fez presente.

Após me molhar, levantei a cabeça e abri os olhos em direção ao espelho.

Um susto! Meu coração quase parou nessa hora.

Acordei ofegante. Suando.

Era um sonho. Ou melhor, um pesadelo do qual tento me livrar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se perdeu!

Prática Diária da Escrita: Dificuldade e Superação

Alguma Coisa Incomum