Um Sábado de Novembro
Não que eu seja obrigado a escrever alguma coisa. Escrevo porque quero.
Depois de tantos livros, tantos textos, tantos parágrafos, cá estou eu fugindo dos padrões.
Hoje é só mais um sábado qualquer... Um sábado de novembro, de céu azul e muito calor.
Lembro-me de sábados tristonhos com ventania e folhas secas; com chuva prestes a cair e solidão. Muita solidão.
Quando eu morava em Juiz de Fora era assim. Os sábados vagavam nas paredes do apartamento. A bela floresta que tinha como vista era minha companhia diária. As tardes se tornavam manhãs e os sábados... Estes se perdiam nas horas sem fim.
Tão distante agora. Eu poderia ter amigos caso quisesse... Mas havia tantas feridas dentro de mim que acabava por me recolher em silêncio.
Nunca vou me esquecer daquela floresta.
Eu sentia a chuva chegar por ela. Suas árvores começavam a balançar e os pássaros voavam para seus ninhos. Predominava um verde escuro estonteante.
Tardes solitárias. Quanta coisa aprendi naquele tempo.
E por mais que eu tivesse construído um mundo só meu, sem a presença de qualquer outra pessoa, às vezes vem-me à mente as lembranças daquelas tardes. Tocam meu coração.
Não posso dizer que fui infeliz. Eu era feliz. Mas meu sentir era diferente. Minhas emoções eram outras. Hoje parece outra vida.
Olho este sábado iluminado de agora e penso no passado. Quanta coisa mudou.
Porém, quando o vento começa a soprar, recordo-me do apartamento. Eu sinto falta.
Eu gostava de lá. Meus Deus, como eu era imaturo. Tudo podia ter sido diferente, mas não foi. Ainda bem!
Se hoje estou aqui é porque passei por lá. Tardes "juizforanas"... Eu amo aquela cidade e sempre vou amar. Ela não tem culpa da solidão que vivi em suas ruas e mercados.
Vivendo este sábado consigo refletir sobre tamanho desenvolvimento. Naqueles dias jamais pensei que pudesse ter a cabeça de agora. Ou que viveria o que vivo agora.
Tinha de tudo, e, ao mesmo tempo, não tinha nada.
Só não entendo o porquê de em um sábado lindo desses vir essas lembranças cinzas. Talvez eu devesse destacar as coisas boas que vivi. Mas não... Hoje as cicatrizes querem falar.
Creio que nunca mais eu venha a morar lá de novo. Tudo se transformou em uma lembrança distante. No mais, um dia passarei pelas ruas que passava sozinho como um viajante. De coração aberto. E mente iluminada...
Por um sábado de novembro.
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