O Sino dos Ventos de Minhas Memórias
Alguma coisa mudou em mim, para melhor. Mas ainda não sei do que se trata! Tentarei descrever da melhor forma o que sinto nesta manhã de novembro que já se despede da primavera para dar início ao verão. Pois bem, mais uma que se vai ao longo dos anos. Mais um ano que se vai ao longo da vida. E a vida continua a correr pelas estações, cada vez mais rápida. Pelo menos para minha percepção de tempo. Esse ano farei vinte e seis anos no fim de dezembro. Porém, ainda posso sentir um tilintar da infância em meu íntimo. Nada comportamental ou moralista; está mais para uma brisa fazendo mexer o sino dos ventos prateado que compunha o cenário de minhas brincadeiras.
Lembro-me, sim, de seu som ao longe. Ainda que na minha casa não houvesse um. Eu era uma criança feliz. Sorria e brincava sem parar. Mas à medida em que a idade foi me alcançando, meu semblante vestiu a capa da seriedade e eu nunca mais voltei a ser como era naqueles tempos ventosos. Hoje observo esta manhã que me circunda e percebo o quanto eu cresci. E também aprendi. Mas alguns tesouros se perderam no tempo. Valiosos a meu ver.
Perdi a calma de viver; a tranquilidade, a pacificidade, a capacidade de parar para ouvir um sino dos ventos. Somente agora posso perceber tais coisas, pois antes nem sequer um momento de contemplação da natureza eu era capaz de concretizar. Queria sempre ter a razão. Dava importância para opiniões vazias e avulsas, que nada somavam ao meu amadurecimento. Briguei com pessoas que nada tinham a ver com meus fantasmas. E me arrependi. Ainda bem que posso aprender com meus erros. Já foram muitos...
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