Minguante das Palavras

Devo ter escrito em alguma tarde, por aí, sobre as cartas para ninguém que transcorro sem pensar.
Aliás, penso, sim. Nos anseios do coração e nas inquietações da mente. Depois as leio; todas as cartas. E descubro que cada uma foi escrita para mim.
Sim!
Eu escrevo para mim, mesmo. Trata-se de uma grande descoberta.
Pouco me importa o que pensam. Opiniões vazias não enchem minha cabeça, tampouco falam comigo. Descarto-as.
Agora, eu posso dizer uma coisa: as cartas me ajudam. Longas e discorridas.
Elas fazem-me sentir alívio. Minhas cartas!
Não ligo se ninguém as lê. Eu as leio. E está tudo bem.
Ainda que seja a mais linda de todas, permanecerá escondida aos olhos de ávidos leitores. Eles não querem tais cartas. Eles querem ler o que os grandes autores e cronistas escrevem sobre a vida. Nunca passarão os olhos pelos meus textos sentimentais. 
Mas eu não ligo, pois, como disse: escrevo para mim.
Quem vai querer saber de mim? De palavras desconexas. De linhas desorientadas. Não sou um grande autor. Sou apenas um vagante frasal, um ser avulso do mundo literário. 
Deixo os livros para os grandes. Os autores.
Eu? Imagina! Quem sou eu...
Minguante das palavras.
Cartas para ninguém.
Se um dia, ao menos, ganhar um leitor, digo-lhe: garimpeiro da arte, você foi além do que qualquer outro. Ultrapassou barreiras que ninguém jamais ultrapassou. Agora está aqui. Perdido. Mas eu entendo sua jornada. Vagando de página em página, até chegar nesta. 
Sabe o que estou sentindo escrevendo isso? Um certo alento. Já que o vento está me agraciando com sua presença, entrando pela janela. Mas, muito mais que isso: sinto alegria por estar conduzindo este texto até você. Meu leitor. Será? Talvez, quem sabe...

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