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Mostrando postagens de março, 2021

Peças Perdidas

Algumas coisas aconteceram nos últimos dias que eu já nem me lembro mais. Peças perdidas de um quebra-cabeça. Sinto-me mais livre; mais próprio; mais eu — mesmo. É noite. Escrevo aleatoriamente algumas frases. Alguns projetos circundam minha mente. Um livro a ser escrito. O sucesso no Wattpad. O concurso do Banco do Brasil. Meu apartamento em Belo Horizonte. Quantos sonhos! Enfim, eu não sequei. Sou um pássaro em busca do galho no qual residirá. Estou escrevendo, sim. Talvez essa seja a primeira vez que eu me expresse conforme verdadeiramente sou. Venho interagindo com os seguidores que adquiri no Wattpad de uma forma nunca praticada antes.  Agora o faço com verdade. Antes, com ilusão. Na espera de um milagre expansivo de textos a serem lidos. Aqui, brinco de escrever. Conforme milhares também brincam. Mas nunca soube como fazer estes textos chegarem a alguém.  Aqui eu me escancaro. Abro as janelas da minha alma e vou costurando as feridas com minhas palavras. Já disse inúmera...

Chega de "talvez"

Tenho começado minhas frases com muito "talvez". Talvez isso, talvez aquilo. Chega de "talvez". O meu maior medo é o de magoar quem amo com palavras mal colocadas, em momentos inoportunos. Não quero que isso aconteça. Demorei tanto para construir o que tenho, caso destrua por orgulho seria meu fim. Trágico. Tenho fé de que isso não vai acontecer. Tenho noção de que muitas vezes minhas ações não condizem com meus pensamentos; vivo na busca pelo equilíbrio desses pontos. Nunca pensei que fosse ser tão difícil.  Se eu não mudar o meu ponto de vista, vou me perder nos caminhos da vida. Tenho que encontrar uma saída. Tenho que aprender o que é certo. Se pratico uma arte nobre, preciso fazer valer a pena. Não posso esperar nada em troca. O que mais tenho de valioso ainda é o amor que semeio dentro do peito. Vou protegê-lo a todo custo. Caso o perca, perderei a mim mesmo. Enfim, chega de palavras. Já palavreei demais por hoje. 

No meu Quarto Escuro

Tudo bem; a tempestade parece ter se acalmado. Passageira como as de verão. Já era para eu me conhecer nesse quesito: não posso escrever de cabeça quente. Dessa vez passou. Da outra, talvez, não passe. E se não passar, deixe estar. Tempestade por tempestade, o chão fica fértil. As sementes nascem. Dificuldades existem para serem superadas. E eu estou aqui para viver dessa forma: superando a cada dia. Não construirei mais muralhas em meu inconsciente; chega de barreiras. Acabaram-se as velas; não há mais luzes para espetáculos. Talvez eu esteja fazendo desse espaço um diário para meus infortúnios. Não queria que fosse dessa maneira; contudo, se opto por não escrevê-los, o que mais me restaria? A época d'ouro do Pena Pensante acabou. Tudo está em ruinas. Passado quase esquecido que poucas pessoas se lembrarão. Recordação empoeirada na estante do pensamento. Hoje só me resta esses retalhos para escrever. Nada de bom. Ainda assim insisto com eles. Um verdadeiro escarcéu de palavras jog...

A Caverna dos Pesadelos

Eu sou um coletivo de escolhas mal feitas, passagens desenfreadas, impulsos nervosos e espasmos desempregados. Nada do que eu falo importa, nenhuma ação surte efeito. Sou alguém esquecido, apagado, remotamente configurado — para agir conforme querem que eu aja; ser conforme querem que eu seja. De nada importa meu estar, meu querer, meu sentir. De que serve o sentimento quando jogado num abismo? De que servem as palavras quando ditas às paredes? De que serve o amor quando não correspondido? Nada e nenhum pouco... Nada mais. Era vazio que sentia. Incompreendido. Ninguém para estender a mão. Não existe culpa numa história sem premissa. Ninguém é culpado por uma consequência corrompida. Inverdade velada nos momentos da vida. Vejo que naveguei sem chegar a lugar algum; para quê? Puseram-me o chapéu da vilania. Jogaram-me do abismo com a roupa da vergonha. Eu sou uma semente não semeada. Preso em pensamentos por convivência. Clemência dos fatos. Paralisem as memórias. Elas são cruéis e devas...

Papéis, papéis e papéis...

Cansei dessa papelada; da busca incessante por ser alguém substancial; de ter que encontrar um propósito para guiar meus sentimentos em caminhos lineares; papéis, papéis e papéis. Tudo banalizado. Sou quem sou por ter vivido sobre um teto sem estrelas. Sem luar.  Ouvi o canto dos pássaros ao longe mas jamais contemplei seu esplendor. A graciosidade da natureza não me consolidou como artista; apenas quatro paredes frias, gritos, barulhos de carros em ruas movimentadas, descontrole e estresse. A beleza passou longe de tudo isso.  No corredor ecoam-se vozes alteradas; superficiais; incapazes de perceber a beleza da vida; escrevo para abutres; ninguém; o vazio e nada mais. Jogo palavras nos precipícios. Gasto pensamentos e reflexões como cascas atiçadas ao longe. Morri em textos para renascer em mim mesmo. O barulho me incomoda. A incompreensão. Pessoas rarefeitas. Alguém me sufoca com passos ruidosos no corredor. Um incansável lamento de insatisfação. Onde estão as paisagens enca...

Apaguei, De Fato

Apaguei, e apago mais. Muitas coisas são feitas e apagadas. Sentimentos mudam como corrente que se despende das entranhas da alma. Comecei um texto e o apaguei porque mudei. Minha opinião mudou em segundos. Um impulso nervoso se enraizou nesse instante avulso do dia. Estava tudo tão bem, mas estragou. Barulho que invade um ambiente pacífico. Dom que se perde sob as areias do deserto. Pensei que não fosse capaz de escrever sobre esses momentos de tentação, mas me surpreendi. Posso dizer que tal momento se assemelha a uma chama tímida que é alimentada por pensamentos inflamáveis. E que apenas eu posso controlá-la. Eu posso alimentá-la ou não, a escolha só depende de mim. A última coisa que eu desejo é ser alguém impulsivo, inconsequente, controlado pelas circunstâncias. Eu não vou deixar isso acontecer. Sou responsável pelo meu bem estar. Os monstros que vivem dentro da minha cabeça morrerão à míngua; não receberão sequer uma reminiscência para mantê-los vivos. Árvore morta que se desfaz...

Forçando um "Esse" Diferenciado

9 de março, 01:16 a.m. Veio-me à mente as anotações do meu caderno verde pequeno. Frases soltas no descontrole das horas tediosas. Mais uma vez, a escrita me salvando. Dos apelos ao vento por uma resposta latente, um anseio estacado na monotonia. Partamos então a estes escritos tão secretos. 2 de março: [...] Hoje algo me consome, mas sigo lúcido. [...] Vitrais iluminando minha paixão; O céu está tão azul, Os sonhos tão lúcidos. [...] 3 de março: Aos poucos a primavera vai se aproximando do meu jardim. [...] Aprendi coisas especiais hoje; coisas que eu já sabia, mas não tinha colocado em prática. Eu não preciso apertar tanto a caneta contra o papel para escrever minhas histórias. Este é o ensinamento. Ainda que eu troque de caneta, o que vale é a leveza; a sensibilidade; o amor de perceber em cada palavra a força de vontade para continuar escrevendo. [...] 4 de março: Como o tempo é engraçado; brinca comigo o tempo todo. Eu danço com o tempo! Palavras, campo fértil onde brinco de plant...

Vivenciando a loucura dos artistas?

Essa noite eu não dormi. Isso já havia se tornado recorrente em minha vida tempos atrás, quando eu comtemplava os entardeceres melancólicos das minhas prisões. Falando em prisões, já escrevi hoje, antes de ser arrebatado pelo monstro da insônia. Não vejo problema algum em escrever de novo! Quem estipulou esta regra? Eu mesmo! Mais uma vez, impondo limites a minha criatividade. Impossibilitando minha imaginação de aflorar conforme deveria. Passei muitos dias sem escrever, de fato. O escritor que habita em mim morreu para renascer. Novos ambientes causam isto. E está tudo bem. Sei que demora um tempo para eu me adaptar; para eu reconhecer a situação; para eu criar raízes. Vejam só, raízes para quem quer voar. Ironia do destino.  Estou feliz. Embora não tenha conseguido estudar hoje. Minha cabeça está a mil — pensamentos indo e vindo sem parar, numa dança afrontosa sem ritmo. A que ponto cheguei. Será que venho vivenciando a loucura dos artistas? Que privilégio, caso seja este o real ...

Parágrafo Colorido

Vejam a madrugada: como é silenciosa. Há muito não vinha registrar meus pensamentos. Mudança no quarto... nos hábitos. Estou aqui depois de trocar algumas prateleiras, mexer nos livros, refletir sobre a vida. Meses? Sim, muitos! Pensei que não fosse mais capaz de escrever. Lembro-me de textos translúcidos como fábulas serpeando vales extensos. Tudo isso passou. Estou numa montanha rochosa agora, enlouquecido a produzir. Mas o quê? Ainda não tenho a resposta. Talvez eu devesse dar mais cor a vida, mais formas; talvez eu devesse mudar o eixo, pintar o mundo, a vida, os caminhos pelos quais andei. Existem quadros na minha parede agora; quadros que não pintei. Não contam minha história, tampouco expressam quem sou em seus traços. Já os textos, sim. Estes vão e vem, e integram o emaranhado de minha essência. Já consigo me ver nos textos. Tenho um estilo próprio, detectável em qualquer lugar. Quanto as cores, deixá-las-ei ao vento. E se estou usando uma mesóclise é porque quero trazer um toq...

Ao meu caro amigo, Vento

Às vezes me vêm alguns conflitos que preciso resolver por minha conta. O excesso de confiança que eu tenho em você faz com que eu acabe compartilhando estas questões que tanto me inquietam intimamente. Está montada a armadilha. Você não tem culpa do que semeio no inconsciente. Tanto que ainda trabalho com aspectos que você já domina. Não tenho a segurança que você tem, tampouco a capacidade de me externar. Você divide as doses emocionais e as usa conforme necessário; já eu deixo tudo acumular e despejo um balde de inseguranças em quem confio. Desculpe se te peço para ter algo que não pode ter: a solução para todos os meus problemas. Há muito já entendi que o maior responsável pela minha vida sou eu; desde então venho tentando encontrar um desfecho para as coisas que me tiram o sono, mas em vão. Ainda não é tempo. O maior problema disso é quando eu me esqueço, e busco em alguém a chave para abrir as janelas da minha alma. No caso, você. Por mais que eu te ame, não posso me esquecer de q...