Parágrafo Colorido

Vejam a madrugada: como é silenciosa. Há muito não vinha registrar meus pensamentos. Mudança no quarto... nos hábitos. Estou aqui depois de trocar algumas prateleiras, mexer nos livros, refletir sobre a vida. Meses? Sim, muitos! Pensei que não fosse mais capaz de escrever. Lembro-me de textos translúcidos como fábulas serpeando vales extensos. Tudo isso passou. Estou numa montanha rochosa agora, enlouquecido a produzir. Mas o quê? Ainda não tenho a resposta. Talvez eu devesse dar mais cor a vida, mais formas; talvez eu devesse mudar o eixo, pintar o mundo, a vida, os caminhos pelos quais andei. Existem quadros na minha parede agora; quadros que não pintei. Não contam minha história, tampouco expressam quem sou em seus traços. Já os textos, sim. Estes vão e vem, e integram o emaranhado de minha essência. Já consigo me ver nos textos. Tenho um estilo próprio, detectável em qualquer lugar. Quanto as cores, deixá-las-ei ao vento. E se estou usando uma mesóclise é porque quero trazer um toque sutil de historicidade. Que os pronomes fiquem ao meio, que as cores vibrem no compasso, que as formas ganhem vida e completem as lacunas da minha arte. Viva os textos! Vivarão até que as memórias se esvaiam e as luzes se apaguem.

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