Vivenciando a loucura dos artistas?
Essa noite eu não dormi. Isso já havia se tornado recorrente em minha vida tempos atrás, quando eu comtemplava os entardeceres melancólicos das minhas prisões. Falando em prisões, já escrevi hoje, antes de ser arrebatado pelo monstro da insônia. Não vejo problema algum em escrever de novo! Quem estipulou esta regra? Eu mesmo! Mais uma vez, impondo limites a minha criatividade. Impossibilitando minha imaginação de aflorar conforme deveria.
Passei muitos dias sem escrever, de fato. O escritor que habita em mim morreu para renascer. Novos ambientes causam isto. E está tudo bem. Sei que demora um tempo para eu me adaptar; para eu reconhecer a situação; para eu criar raízes. Vejam só, raízes para quem quer voar. Ironia do destino.
Estou feliz. Embora não tenha conseguido estudar hoje. Minha cabeça está a mil — pensamentos indo e vindo sem parar, numa dança afrontosa sem ritmo. A que ponto cheguei. Será que venho vivenciando a loucura dos artistas? Que privilégio, caso seja este o real motivo. Estou migrando meus anseios para as formas coloridas, talvez eu consiga me expressar por lá também.
Reviverei momentos que só a infância pintou com sua sutileza e inocência. Mas para isso, preciso me preparar. Não atingirei o resultado esperado logo no princípio. Assim vou aprendendo que a vida é um conjunto de preparações. Hoje, no início do mês de março, sigo me preparando com empenho para me tornar um funcionário público — coisa que firmo com certeza em meu caderno físico. Ao mesmo tempo, escrevo. Pois para mim a escrita é a forma com que me encontro desprovido de egoísmo, rancor ou prepotência. Na escrita encontro paz.
Devo informar que nem sempre foi assim. Já deixei claro em outras épocas que escrevia para aparecer. E fazia questão de costurar bordados em meus textos que não condiziam com o propósito da roupa. Hoje a minha arte flui. Faço por prazer e não pelo título que ela traz consigo. A minha alma escreve em céus azuis e gramas verdes, paredes de pedra e chãos de madeira. Por ora eu escrevo aqui. E passarei a pintar meus textos, quem sabe. Com formas únicas, traços sentimentais, cores vibrantes imprimindo minha verdade em detalhes de curvas requintadas.
Nem sei por que usei essa palavra. Se tem uma coisa que não sou é requintado. Meus traços são rústicos, fortes, avassaladores. Sem detalhes sutis, porém marcantes, profundos. Eu tenho um estilo, mas me falta a técnica. O conhecimento acadêmico que carrego na escrita para fugir dos padrões. Enfim, aguardarei pelo amanhã.
Talvez eu tenha mais ânimo para estudar. Para me imaginar em um banco contando dinheiro, fazendo empréstimos... No mais, sigo aqui; à meia luz, escrevendo e esperando. Tentando entender em linhas o verdadeiro motivo da minha existência.
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