Forçando um "Esse" Diferenciado
9 de março, 01:16 a.m.
Veio-me à mente as anotações do meu caderno verde pequeno. Frases soltas no descontrole das horas tediosas. Mais uma vez, a escrita me salvando. Dos apelos ao vento por uma resposta latente, um anseio estacado na monotonia. Partamos então a estes escritos tão secretos.
2 de março:
[...]
Hoje algo me consome, mas sigo lúcido.
[...]
Vitrais iluminando minha paixão;
O céu está tão azul,
Os sonhos tão lúcidos.
[...]
3 de março:
Aos poucos a primavera vai se aproximando do meu jardim.
[...]
Aprendi coisas especiais hoje; coisas que eu já sabia, mas não tinha colocado em prática.
Eu não preciso apertar tanto a caneta contra o papel para escrever minhas histórias.
Este é o ensinamento.
Ainda que eu troque de caneta, o que vale é a leveza; a sensibilidade; o amor de perceber em cada palavra a força de vontade para continuar escrevendo.
[...]
4 de março:
Como o tempo é engraçado; brinca comigo o tempo todo.
Eu danço com o tempo!
Palavras, campo fértil onde brinco de plantar.
Minha vida é sentir, escrever e esperar. Uma espera constante do que a vida vem desenhando em pores-do-sol avermelhados, noites escuras e manhãs renascendo nos horizontes.
Lembro-me de quando não escrevia, por medo. Há muito encontro-me nas folhas paralelas das minhas histórias; há muito já não tenho mais medo.
Para saber: as teclas estão perdendo sua importância para dar lugar à caneta.
Isso é bom pois consigo perceber que minha escrita não se limita ao computador.
O desejo de escrever transcende as telas luminosas.
E por mais que agora eu esteja escrevendo, forçando um "esse" diferenciado, percebo nas linhas minha praticidade em curvas sinuosas: a tendência de suavizar o contínuo caminho das palavras.
5 de março:
Um dia colorido para eu me alegrar. Uma vida com sentimento é um jardim florido; sem, um livro esquecido. Feito apenas de capa... e nada mais.
[...]
11 de março, às 17:44 p.m.
Há meses que começam com a literatura aflorada. Ainda não peguei nenhuma história para ler neste março singular, talvez nem pegue. Ou não... Posso me encantar por fábulas, quem sabe... Mas sei que vivi algumas coisas nos primeiros dias desse mês que provavelmente não se repetirão. O som, as cores, as lembranças e as memórias... Nostalgia de uma época que passou. Vida que segue; comecei o relato na madrugada do dia nove e venho terminar só agora, neste fim de tarde cinzento e úmido. Se posso afirmar algo, com certeza, é a minha gratidão — não pela simplicidade que venho trabalhando e buscando cada vez mais nas nuances vivenciais; quando falo em gratidão, falo da arte. Da escrita, em especial. Por muito tempo ela vem me cedendo a luz em dias escuros de tempestade. Minha alma se transformou em palavras desordenadas; minha vida, uma constante reescrita.
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