Papéis, papéis e papéis...
Cansei dessa papelada; da busca incessante por ser alguém substancial; de ter que encontrar um propósito para guiar meus sentimentos em caminhos lineares; papéis, papéis e papéis. Tudo banalizado. Sou quem sou por ter vivido sobre um teto sem estrelas. Sem luar.
Ouvi o canto dos pássaros ao longe mas jamais contemplei seu esplendor. A graciosidade da natureza não me consolidou como artista; apenas quatro paredes frias, gritos, barulhos de carros em ruas movimentadas, descontrole e estresse. A beleza passou longe de tudo isso.
No corredor ecoam-se vozes alteradas; superficiais; incapazes de perceber a beleza da vida; escrevo para abutres; ninguém; o vazio e nada mais. Jogo palavras nos precipícios. Gasto pensamentos e reflexões como cascas atiçadas ao longe. Morri em textos para renascer em mim mesmo.
O barulho me incomoda. A incompreensão. Pessoas rarefeitas. Alguém me sufoca com passos ruidosos no corredor. Um incansável lamento de insatisfação. Onde estão as paisagens encantadoras? Estas não existem. Estão presas nas fantasias. Existem apenas cadeiras duras e desconfortáveis, luzes brancas cansativas e hospitalares, chão frio, cômodo empoeirado, confusão nas ruas, lamúrias incessantes, dores nas costas, no pescoço, na cabeça, terra infértil para plantar.
O calor me faz suar. Perco as estribeiras e paro de escrever. Pra quê? Ninguém vai ler. Ninguém se importa. O tesouro está perdido e enterrado. A fresta da minha alma está entupida de lodo. Nada mais escapa. É isso que um escritor tem para oferecer? Suponho que não.
Tentei mudar o ambiente; foi em vão. Está tudo muito difícil agora. Quero deitar e sonhar. Viver os contos nos sonhos está sendo melhor do que transcrevê-los para os monstros que corromperam meu ser. Cansei dos papéis. Por ora...
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