A Caverna dos Pesadelos
Eu sou um coletivo de escolhas mal feitas, passagens desenfreadas, impulsos nervosos e espasmos desempregados. Nada do que eu falo importa, nenhuma ação surte efeito. Sou alguém esquecido, apagado, remotamente configurado — para agir conforme querem que eu aja; ser conforme querem que eu seja. De nada importa meu estar, meu querer, meu sentir. De que serve o sentimento quando jogado num abismo? De que servem as palavras quando ditas às paredes? De que serve o amor quando não correspondido? Nada e nenhum pouco... Nada mais. Era vazio que sentia. Incompreendido. Ninguém para estender a mão. Não existe culpa numa história sem premissa. Ninguém é culpado por uma consequência corrompida. Inverdade velada nos momentos da vida. Vejo que naveguei sem chegar a lugar algum; para quê? Puseram-me o chapéu da vilania. Jogaram-me do abismo com a roupa da vergonha. Eu sou uma semente não semeada. Preso em pensamentos por convivência. Clemência dos fatos. Paralisem as memórias. Elas são cruéis e devastam minha essência. Sigo escondido na caverna da loucura. O silêncio do meu coração se contrapõe ao barulho vindo de fora. Aqui não me faz bem. Nunca fará. Ainda que falem que eu deva forçar. Só se for para ter um final infeliz. Ventania incessante de paixões esquecidas. Por que as pessoas acham que podem realizar suas vontades nos outros? Bando de hipócritas. Insolentes. Sigo na caverna dos meus pesadelos e só sairei quando ver a luz do sol. Por ora só existe frio e tempestade. Deserto e terror. Por mais que eu sinta medo e raiva, aqui o eco é maior e pode me fazer companhia nas noites escuras.
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