Apaguei, De Fato
Apaguei, e apago mais. Muitas coisas são feitas e apagadas. Sentimentos mudam como corrente que se despende das entranhas da alma. Comecei um texto e o apaguei porque mudei. Minha opinião mudou em segundos. Um impulso nervoso se enraizou nesse instante avulso do dia. Estava tudo tão bem, mas estragou. Barulho que invade um ambiente pacífico. Dom que se perde sob as areias do deserto. Pensei que não fosse capaz de escrever sobre esses momentos de tentação, mas me surpreendi.
Posso dizer que tal momento se assemelha a uma chama tímida que é alimentada por pensamentos inflamáveis. E que apenas eu posso controlá-la. Eu posso alimentá-la ou não, a escolha só depende de mim. A última coisa que eu desejo é ser alguém impulsivo, inconsequente, controlado pelas circunstâncias. Eu não vou deixar isso acontecer.
Sou responsável pelo meu bem estar. Os monstros que vivem dentro da minha cabeça morrerão à míngua; não receberão sequer uma reminiscência para mantê-los vivos. Árvore morta que se desfaz no tempo.
Fui-me. Tomei um banho; distraí-me e, mais uma vez, mudei. Inconstância? Não que eu queira. Apenas relato o seguinte: sou o responsável pela minha realidade. Só planto o que semeio. Posso fazer da minha vida um céu, bem como transformá-la em um pesadelo. Basta eu não me escravizar. Colocar amarras onde não existe. Deixar a vida seguir seu fluxo e tudo se colorir de bem.
Eu sou uma pessoa realizada. Tenho comigo um dom regado por muito empenho e dedicação: a arte de escrever. Como teço as convicções com palavras, teço minha realidade com as ações. Vida por vida, arte por arte. Amor e ventania. Tudo sendo levado e se deixando levar. Tal como a paz de estar sentado numa pedra à beira-mar contemplando o pôr-do-sol.
São de espetáculos como este que a vida se faz valer. Transformarei meus minutos em eternidade e então serei os protagonistas dos romances que já li. Fantasia que se faz presente dentro das quatro paredes do meu quarto. Um dia, quem sabe, meus personagens se soltarão das linhas para verem os raios de sol na perspectiva de seu autor. Iluminados pela luz amarelada, perceberão que o sentido de criar só vale a pena quando tem sentimento no coração. Quando a emoção fala mais alto e abrange espaços nunca antes explorados. Afinal, a vida é assim: viver, criar, deslumbrar-se na sutileza e emocionar-se nas nuances do espetáculo.
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