No meu Quarto Escuro

Tudo bem; a tempestade parece ter se acalmado. Passageira como as de verão. Já era para eu me conhecer nesse quesito: não posso escrever de cabeça quente. Dessa vez passou. Da outra, talvez, não passe. E se não passar, deixe estar. Tempestade por tempestade, o chão fica fértil. As sementes nascem. Dificuldades existem para serem superadas. E eu estou aqui para viver dessa forma: superando a cada dia. Não construirei mais muralhas em meu inconsciente; chega de barreiras. Acabaram-se as velas; não há mais luzes para espetáculos.

Talvez eu esteja fazendo desse espaço um diário para meus infortúnios. Não queria que fosse dessa maneira; contudo, se opto por não escrevê-los, o que mais me restaria? A época d'ouro do Pena Pensante acabou. Tudo está em ruinas. Passado quase esquecido que poucas pessoas se lembrarão. Recordação empoeirada na estante do pensamento.

Hoje só me resta esses retalhos para escrever. Nada de bom. Ainda assim insisto com eles. Um verdadeiro escarcéu de palavras jogadas sem sentido. Estou cansado disso tudo; quem sabe, até mesmo, cansado dos dias após dias... Monótonos. Tudo bem que eu e todo o restante das pessoas estejamos no meio de uma pandemia. E esta mesma já vem se alongando por mais de um ano. Mas chega um determinado instante que a vida para de fazer sentido, que as perguntas vão e vem como os mosquitos na hora do sono. Zumbem pelos meus ouvidos e me tiram do sério.

Sério? Como se eu fosse uma pessoa séria escrevendo reclamações em cima de reclamações. O dia foi barulhento, de fato. As pessoas não têm parado para se recompor da realidade cruel que as cerca. Extravasam sua euforia aos quatro cantos. Quanto a mim... Sigo no meu quarto escuro, à luz da tela do computador, escrevendo o que me vem à mente. Nada com nada. Um esconderijo na busca de conforto às inquietações que me avassalam. 

Eu não passo disso: alguém que faz das palavras sua desculpa para o mundo. Estou farto de mim, das minhas ideias, da minha realidade. Estou farto dessa música que toca ao longe, dos carros passando na rua, das pessoas conversando alegremente enquanto outras continuam morrendo pelo vírus espalhado. Estou farto!

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