Uma Tarde Alaranjada

Otávio toca em seu teclado novo. E eu escrevo encostado na parede, sentado no colchão de lençol azul, do lado de sua cama. A colcha se destaca: branca com pintas amarronzadas imitando a pele de um animal. Uma vaca, talvez. 

Nossa, que texto superficial. Meu Deus. Estamos no início da noite de uma sexta-feira. Sexta-feira da Paixão. Após sua linda apresentação na missa transmitida aos fiéis, finalmente retornamos.

A tarde foi alaranjada; espetacular e vazia. Ainda estamos na pandemia, e o isolamento é obrigatório. Isso vem se estendendo há mais de um ano.

Fiquei pensando outro dia em como era nossas vidas antes disso tudo. Íamos ao cinema, saíamos aos bares, teatros, concertos, e ríamos, nos divertíamos e vivíamos uma vida. Agora está tudo diferente. Mas já nos acostumamos. 

Lembro-me da Semana Santa do ano passado; já estávamos isolados, e sequer poderíamos imaginar que um ano depois a situação estaria pior. Mas... a vida nos surpreende com suas artimanhas. 

Algo será extraído de bom desse período enlatado. Abelhas na colmeia! Por incrível que pareça, hoje não sei o que escrever. Talvez seja porque eu esteja satisfeito. Ontem a noite foi longa, com muitas reflexões sobre meus processos de escrita.

Como posso ser um escritor sem nada escrever? Ao menos, virei a chavezinha na minha cabeça. Continuarei no romance. Na narrativa impecável que nasceu em mim e eu venho marcando-a nos papéis. Desejo mais tardes alaranjadas como esta, e que eu tenha olhos para contemplá-las. 

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