Chega de Fantasmas

Hoje me bateu um desânimo. E uma vontade de desistir. De não ver mais saída para tantos gritos e lamentos vindos de todos os lados. Como fazer com que leiam meus livros se estão todos preocupados somente com suas histórias individualistas? Como fazer a flor nascer neste solo saturado de tanto germinar?

Cansei de implorar. De fazer papel de bobo na multidão letrada! Dei o meu melhor e nada recebi em troca senão migalhas — migalhas que caíram da mesa e mais ninguém quer. Eu não sei como acessar essas pessoas, pois por muito tempo me retraí. Me contive nos esconderijos da alma, e fui incapaz de sair para sequer ver o que estava acontecendo. 

Vou dizer uma verdade: o saudosismo me arrebenta. Eu não posso, de forma alguma, deixar esta sensação lancinante me consumir. Bola pra frente! Chega de fantasmas assombrosos. 

Eu sei que preciso me reinventar. Encontrar a minha essência. Estar disposto a mudar e não ter medo de tropeçar. São tantas coisas. Mas por ora estou cansado, e preciso descansar. Minha lombar dói e sinto sede. Sede que talvez nem seja de água, mas de descoberta. Sou eu a esfinge do Egito, que permaneceu enterrada nas areias do tempo.

Já é tarde. Consigo ouvir os passarinhos ao longe. Está bom! Eu continuarei. Só precisava escrever alguma coisa, pois as palavras me ajudam a pensar. Não vou me esquecer dos livros na estante, dos textos já escritos e das páginas já viradas. Tudo conta como aprendizado e agrega conteúdo ao cabedal de conhecimentos.

Daqui cem anos, ninguém vai lembrar mesmo...

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