Vivência Veraneia

É o verão que resolve se estender. Mosquitos e pernilongos por toda parte.

Palavras de verão são como tempestades repentinas. Elas vem e vão conforme a ventania. 

Suor. Sol. Janela aberta com claridade entrando e iluminando os papeis da estante. 

Ventilador indo e vindo e minha mente vagando. 

Era para eu estar escrevendo um romance, mas disperso. Vago sem rumo e adentro o desconhecido da vivência veraneia. 

Ao menos consumo. Livros e livros; páginas e páginas; histórias navegadas em navios naufragados. 

Outra vez, as cartas para ninguém...

Uma escola de portas fechadas que ninguém mais entra, sequer abre as janelas para a luz do sol entrar.

Tudo bem, escrever no verão é tropicalmente aconchegante. 

Meu corpo sua; meus óculos escorregam no nariz.

Calor e mosquitos. Zumbindo aos ouvidos. 

Onde está as manhãs outonais, meu Deus?

Que saudade do céu azul de afiado frio luzente.

Era para ser um poema — e nada mais.

Sofri noites de solidão, sim. E elas assombram meus textos.

Em cada linha um resquício. 

Amo escrever em momentos inoportunos de turbulência.

Música, barulho, pessoas, mosquitos, calor e suor. Ah, as vivências veraneias...

Eu treino as palavras nestes contextos. Brinco nas linhas feito criança em sua casa na árvore.

Escorrego e balanço nos galhos da escrita.

Envergonho-me depois — mas é tarde. Está escrito.

Revolto-me com os parágrafos inexistentes. Cubro os olhos e me imagino na montanha dos grandes autores. 

Agora que tenho produzido qualquer coisa. Antes fazia-me de escritor sem ao menos escrever. Como pode? Não pode. Por ser poder ilusório.

Agora as linhas já dispersam. Chegou aqui, bravo leitor? O cansaço já te consome, não?

Pois bem! Você não descobriu um tesouro; eu lamento.

Não estou prestando queixas ao verão, apenas relatando uma forte luz em meus olhos.

O piano ao longe não me distrai. Tampouco as vozes.

Eu amo fingir um domínio incorrupto da escrita. Sequer parece trémula e instável. 

Breve voltarei ao romance... E deixarei as linhas de lado.

Queridos leitores. Descansem! Apaguem as luzes e parem as máquinas.

O verão está chegando ao fim. E com ele, as flores de um jardim ilusório que zumbem aos nossos ouvidos.

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