Escrevo o Vazio

Hoje acordei tarde. Sonhei com palavras, versos e parágrafos. Eu estou imerso nesse oceano literário ultimamente. O Instagram do Pena Pensante está lindo com o feed organizado, com as cores contrastadas dentro da paleta invernal, com as colagens artísticas e, é claro, com meu entusiasmo.

Mas... até quando?

Até quando sustentarei este trabalho sem retorno? Parece uma roda d'água girando fora da cascata: textos escritos para as gavetas. E sobre isso refleti durante esta noite. Peguei o kindle e li mais um pedaço de Cem Anos de Solidão. Depois, refleti. Jamais deixarei de escrever para as gavetas. Ontem mesmo descobri uma plataforma para cronistas chamada Medium. Nenhuma vontade tive de me cadastrar.

Estou confortável aqui, dentro da liberdade da solidão. Contudo, existem os outros textos. Textos que escrevo para serem lidos e sentidos. Não que estes de cá eu não escreva com este intuito; mas estes são um tesouro a ser descoberto ao longo do tempo; enterrados e perdidos; quem sabe um dia encontrados. Os de lá não! Eles são joias expostas que precisam de atenção.

Enfim... O verão está indo embora. Agora escrevo numa tarde silenciosa e ouço apenas Otávio tocar em seu teclado. Ele está em meu campo de visão e algo sublime tem se projetado na parede. Os raios do sol atravessaram o ipê-de-jardim e entraram pela janela escancarada. À minha frente vejo uma dança de folhas ao vento em sombras e tons dourados do sol.  Essa mesma dança tem envolvido Otávio que se transformou em uma verdadeira obra de arte. Está lindo de se ver: a projeção das folhas dançantes na parede pelos raios vespertinos.

Um presente, de fato, enquanto escrevo o vazio. Talvez eu comece uma fantasia mais tarde. Tarde que se esvai para dar lugar à noite. Já vai dar cinco horas. E eu nada fiz senão sonhar...

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