Retalho de Sonhos
Sábado. Palavras avulsas. Música instrumental não significado nada. Tarde quente, sem nada para oferecer àquele que diz "estou aqui". Um caderno verde, uma casa limpa, um ventilador ligado, uma camisa dobrada na cama; meu Deus! Quantas coisas para se escrever. Mas e o sentimento? E os dias de angústia? E as feridas cicatrizadas? E os fantasmas depostos? E o medo? Medo! De viver, supostamente, ou de morrer sem ter vivido? Quando foi que as coisas ao redor pararam de falar em voz alta? Tudo para ouvir o que está dentro. Tudo para sentir uma respiração tranquila. Um texto não quer dizer muita coisa comparado ao tanto de coisa que não disse. É apenas mais um sábado. Queria mesmo entender aquilo não foi entendido. Será que cresci demais e não percebi? Será que já sou o adulto que imaginava quando criança? Se sim, por que continuar negando aquilo que os dias me trouxeram? Por que não aceitar? É bem difícil dizer o indizível. Isso porque a tarefa de traduzir sentimentos em palavras ...