Jardins de Poesia
Quando comecei a escrever por aqui, pensava diferente. Recriei contextos e desfiz laços; calcei outras sandálias e marquei passos no asfalto, na rua esquecida, na noite incompleta e no céu de incontáveis lampejos; sobrevivi debaixo d'água, nas profundezas desconhecidas, e encontrei pérolas multicoloridas que optei por deixar no mesmo lugar onde as vi; rasguei pilhas de cadernos e perdi outros que não foram rasgados, ficando apenas na lembrança a caligrafia grosseira de ilusões juvenis; usei muitas canetas para assumir outras personalidades e refazer um futuro incerto, enquanto parava para sentir o frio de pequenas pedras em meu rosto; ah, e caminhei até minhas pernas não aguentarem mais; por muito tempo me recolhi, sentando-me ao chão de um canto qualquer, para pensar no rumo das coisas. Daí, surgiram preces e orações regadas que cresceram em um semblante tímido e descrente das coisas impossíveis. E eis que em uma noite de relâmpagos silenciosos que clareavam o céu, o impossível aconteceu.
Dou a você apenas cinco minutos para recriar uma boa história. Existem vidas que se movem por dezenas e dezenas de anos, mas não vivem os cinco minutos que te dei. Veja só! Lá se foram dois. Eu, que tanto vi de uma janela pouco aberta, reconheço os milagres nos interstícios das horas. Os minutos são infinitos para quem sabe apreciá-los. O vento entra por lugares improváveis e a luz o acompanha pelas frestas escondidas que poucos reconhecem no escuro. Vamos lá, amigo. O tempo acabou e você tem o que fazer. É hora de se levantar e de respirar os ares que tanto almejou. Um dia ou outro nos encontraremos de novo; até lá, outras letras surgirão para nos guiar pelas estradas afora. Não se esqueça de sentir o chão com os pés, pois é ele quem o sustenta. Por mais incerto que o futuro seja, é sempre certo quando nos mantemos presentes. Olhe para dentro de si e conseguirá me encontrar sentado diante dos jardins que há muito tem plantado. Jardins de poesia.
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