Uma Flor em Solo Saturado

Havia avançado um capítulo na Meta Tolkien no decorrer da semana passada, enquanto estava vivenciando o meu recesso na escrita, devido ao fato de ter ido viajar. Hoje, pela tarde, pude proceder um pouco mais, o que gerou em mim uma reflexão sobre as peripécias da trama junto às experiências que os personagens estão tendo nesse ponto da narrativa.

Frodo e Sam guiados por Gollum até as fronteiras de Mordor, onde terão de destruir o anel de poder, enfrentam obstáculos que jamais imaginaram. A criatura os levou até o Portão Negro, mas, impossibilitados de passar por ali, tiveram que mudar o trajeto para uma direção que só o guia daquelas terras conhecia.

Gollum, então, os conduziu por essa alternativa, e mesmo sob a sombra das tempestades de fronteiras caliginosas, os hobbits conseguiram perceber uma beleza tímida que a terra ainda produzia. Seja pela vegetação minguante, perdendo-se à medida em que avançavam no percurso, ou até mesmo por uma singela flor que se esforçava para brotar em meio ao solo saturado.

Ao trazer isso para minha vida, percebo que às vezes me esforço para tirar de concepções fatigadas algum bem ou algo que me acarrete por um caminho próspero; contudo, o máximo que consigo são mínimas fontes de cores em meio ao ominoso campo de batalha. Mesmo assim, tenho de convir que estou em vantagem, comparando-me àqueles que já padeceram lutando por seus ideais infrutíferos.

No mais, estou aprendendo a lidar com as gotículas de oportunidades que formam as estalactites da caverna de Platão. Ainda que eu não veja somente as sombras na parede, creio que possa ter me acostumado com a segurança da mesma, já que lá fora as flores não crescem conforme o próprio conto insinua.

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