Brinco nas Entrelinhas
Minha escrita está viciada.
A mesma coisa todos os dias.
Nada de novo! Somente reflexões vazias a respeito das frustrações. Permaneço tentando fazer cair a fruta da árvore seca. Balançando galhos no outono, quando todas as folhas já estão no chão.
Não sobrou nada para mim. Apenas o zumbido irritante do mosquito querendo chamar atenção.
Os projetos voaram. E eu estou de mãos vazias.
Nada mais tenho a oferecer.
Foi-se a época de viver aventuras; de rastelar o gramado das ilusões; de cuidar das hortaliças sentimentais; encontrar-me no sagrado das horas compromissadas; viver o coletivo e ser alguém para me orgulhar.
Hoje, apenas poeira. Poeira de livros não lidos, estacionados numa estante do sótão.
Sento-me numa cadeira plástica, humilde, para escrever a mesma baboseira. Isso ocorre todas as vezes que as palavras insistem em ecoar seus anseios. Talvez eu tenha apenas aprendido a não ser. Pois foi exatamente isso que aconteceu: eu não fui.
E também não sou. Brinco de ser escritor. Brinco nas entrelinhas tentando passar uma mensagem subentendida com ar de mistério. Mas na verdade, só existe o vazio de textos e mais textos encíclicos. Rolam morro abaixo e param no fundo do poço. Depois, são esquecidos.
Não se engane! Não existe tristeza por aqui. Apenas um espaço a ser preenchido.
Talvez eu tenha forças para esperar o verde ser verde de novo. Até lá vou fingindo ter esperança por dias melhores.
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