O Domo Transparente
Ressignificação da realidade paralela.
Uma gota caindo devagar em um balde chegando ao seu limite: ansiedade.
Equilíbrio entre transbordar e manter-se intacto.
Ao menos posso usar a alta tensão superficial do líquido ao meu favor.
O vento atravessa o recipiente gotejado e nada acontece
Senão uma dança gelatinosa do domo transparente.
Mais uma gota que se junta ao espetáculo.
E outra...
Todas ligadas por hidrogênio; coesas e polares.
Por vezes, sinto vontade de chutar o balde sobrecarregado.
Contudo não saberei até onde irá a cúpula imprevista que insiste em existir.
Por quê?
Por fim, olho para cima e vejo uma estalactite se formar.
Seu significado eu não sei
Mas está prestes a furar o domo iludido em esplendor.
Talvez seja a hora, de fato.
Fim do ato. E a cortina se fecha para ninguém.
A lagrima do menestrel frustrado caiu e a cúpula sucumbiu
Pelo chão da caverna escura.
O balde continuou cheio até ser chutando
No pico de adrenalina
Ecoando batidas pelo vazio.
Assim, a estalactite despencou como uma espada
E nada furou.
Espatifou-se no chão,
Quebrando-se em mil pedaços.
Realmente, foi-se a obra e os aplausos.
No escuro apenas os ecos de uma ansiedade infundada,
Que nada acrescenta senão o medo pelo vazio.
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