Singela Alegria

Uma alegria misteriosa invade minhas entranhas. 

Cravejada de dúvidas sobre os meandros existenciais. 

Seria alegria, mesmo? 

Ou seria um gotejar lancinante de esperança minguante? 

O sonho de um final feliz.

A ciranda circundante em danças e cantigas

Da infância cujas páginas se perderam

Recomeça em tons tímidos de felicidade. 

Teria ela o direito de girar e girar, sem medo de existir, 

Depois de tantos anos passados? 

O passado ficou para trás.  Foi deixado com palavras incisivas

E inocentes de um texto esquecido, quase morto,

Perdido em meio às novas histórias que o sufocaram.

Lembro-me do que ele dizia:

Quero passos assertivos! 

Sem ao menos saber o que era assertividade. 

Mas o tempo passou e os conceitos se refinaram,

Bem como as palavras.

Elas abriram espaço e permitiram a chegada de sentimentos.

Feito este que agora explano:

A singela alegria

Tímida em essência, mas forte em sua função

De colorir os passos de outrora

Com cores de coragem 

Para viver o novo.

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