Areia do Rio

Estou respirando melhor os ares de uma vida tranquila.

Vendo os dias mais coloridos como reflexos de uma fantasia outrora colhida em pomares carregados.

Durou pouco. Um lapso no tempo. E agora? Será que os pomares acabaram? Ou será que eu perdi a capacidade de colher? Tudo vira dúvidas em uma mente conturbada. 

O dia continua claro e esplendoroso. Trazendo consigo a luminescência de uma história inacabada. E eu sigo aqui... Escrevendo a mesma coisa, sempre e adiante.

A minha história não mudou, apesar das chuvas terem cessado. Os rios abaixaram suas águas e eu pude ver o fundo: pedrinhas coloridas esparramadas pelo leito. Em cada uma, uma lembrança. 

Depois de recolhê-las, só encontrei areia grossa que machucava meus pés. As águas foram aumentando, e quando dei por mim, elas já batiam em meu pescoço.

Só me restou nadar para sobreviver. 

Quando cheguei à margem, foram-se as pedrinhas coloridas e as lembranças de um passado longínquo. Porém, permanecia inteiramente sujo de areia do rio. Ela estava grudada em mim e arranhava minha pele como quem quisesse me machucar. 

Corri de um lado ao outro, pulei e me bati na esperança de me livrar dessa areia pesada. O grosso saiu. Mas ainda assim incomodava. 

Agora que faz sol, vivo na esperança de uma chuva para me lavar por completo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se perdeu!

Prática Diária da Escrita: Dificuldade e Superação

Alguma Coisa Incomum