A Rua, O Oceano e Os Pensamentos

Bom é saber a palavra que se resolve nos meandros do texto. Ela decidiu e pronto! Está feito.
Então, vamos lá: eu já havia dito que vivi perdendo muito que já nem sei o que perdi.
Milhões ao quadrado.
E continuo... Nesse texto sem fundamento eu me faço e não me perco. Pois perdido eu sou.
Perdido nos pensamentos que vem, e vem força, batendo nos muros e nos portões das ruas de calçadas estreitas.
Aliás, muito estreitas. Tanto que para eu andar preciso usar a rua feita para carros. E sou atropelado.
Como já fui muitas vezes, por esses pensamentos automobilísticos destruindo os passos de quem cisma em caminhar.
Eu... Se paro, sinto frio. Se sigo, morro atropelado pelos pensamentos que surgem sem minha permissão.
Nunca quis que fosse assim. Mas é... E isso não se trata de autoridade sobre "quem dirige o quê".
Ninguém dirige nada. A diferença está em quem finge dirigir alguma coisa.
E na fantasia cria padrões inalcançáveis de andados e transeuntes não desgovernados que se desgovernam quando todos dormem de cansaço.
Dormem? Alguém caminhou para dormir? Alguns vivem dormindo em seus postos enquanto outros lutam para chegar até eles. E muitos pensamentos surgem. Um oceano deles.
Começam a inundar tudo. As ruas, as calçadas, as casas. Então tudo é pensamento. E já não há espaço para caminhar.
O pensamento fermentado pelo tempo não corrido vira ilusão. E quem não foi atropelado, morreu afogado. Jurou que ia chegar e não chegou. E agora? Onde estão os discursos de quem semeou esperança nos corações? Então no fundo, como sempre estiveram.
No fundo, onde nos encontramos agora. Se há superfície, não sabemos. Nunca estivemos lá.
Antes existissem ruas para caminhar. Agora sofremos com o peso dos oceanos em nossas mentes.
Já não podemos criar arte. Já não podemos crer no amanhã.
Apenas sobreviver no lugar onde os raios de sol não chegam. 
Porque se cansaram de tentar. 

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