O Abismo e o Jardim
Sabe este caminho? Este, que estou percorrendo neste exato instante. Ele estava completamente bloqueado pela avalanche que caíra tempos atrás. Não consigo precisar o quando. Durante anos a fio foi necessária uma força intrincada no desejo de prosseguir para liberar a via na qual ando agora.
Minha vida ganhou verbos secretos. Desejos íntimos nas profundezas do abismo que já não se mostra tão ruim assim. Na verdade, nada ruim. O abismo é uma parte de mim. E dentro dele tenho descoberto, pouco a pouco, um lindo jardim. Mistério para todos. Mas que tenho acesso.
Eu já caí, já voltei, e tornei-me a cair. Até que uma escada foi construída, dando-me a oportunidade de descer quando bem quisesse. Percebi que se tratava de um gigantesco cânion exuberante de densa floresta, aves silvestres e animais magníficos. Um riacho o cortava de fora a fora percorrendo sua extensão, e coloridos peixes saltavam por sobre as pedras.
Agora o abismo é meu Éden. Onde encontro-me para encontrar-me. E não me procuro. Não há procura onde tudo já foi achado. Tudo revelado e refletido no espelho que se forma em água cristalina. De lá, consigo ver o céu também. As nuvens e as grandes pedreiras que delimitam a terra.
O caminho bloqueado me trouxe aqui, e agora entendo o que antes buscava por respostas. Tão simples. Tão perto. Como pude levar tanto tempo? Coisas da vida. Que palavras mais simples, estas! Simples como o abismo. Simples como eu que me desfiz dos ornamentos. Uma escrita para todos, ainda que todos se resumam a mim. O texto é para mim. E quanto a isto: foram-se os fantasmas. Que a esperança renasça! Ela já foi plantada por aqui.
Minha vida ganhou verbos secretos. Desejos íntimos nas profundezas do abismo que já não se mostra tão ruim assim. Na verdade, nada ruim. O abismo é uma parte de mim. E dentro dele tenho descoberto, pouco a pouco, um lindo jardim. Mistério para todos. Mas que tenho acesso.
Eu já caí, já voltei, e tornei-me a cair. Até que uma escada foi construída, dando-me a oportunidade de descer quando bem quisesse. Percebi que se tratava de um gigantesco cânion exuberante de densa floresta, aves silvestres e animais magníficos. Um riacho o cortava de fora a fora percorrendo sua extensão, e coloridos peixes saltavam por sobre as pedras.
Agora o abismo é meu Éden. Onde encontro-me para encontrar-me. E não me procuro. Não há procura onde tudo já foi achado. Tudo revelado e refletido no espelho que se forma em água cristalina. De lá, consigo ver o céu também. As nuvens e as grandes pedreiras que delimitam a terra.
O caminho bloqueado me trouxe aqui, e agora entendo o que antes buscava por respostas. Tão simples. Tão perto. Como pude levar tanto tempo? Coisas da vida. Que palavras mais simples, estas! Simples como o abismo. Simples como eu que me desfiz dos ornamentos. Uma escrita para todos, ainda que todos se resumam a mim. O texto é para mim. E quanto a isto: foram-se os fantasmas. Que a esperança renasça! Ela já foi plantada por aqui.
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