Poderia Ser

Aqui, exatamente aqui, neste lugar:

Voltei a ser artista, contornando com as palavras

As nuances de uma tela em branco,

Os adornos de uma noite estrelada,

A vontade de pintar uma paisagem mas não conseguir.

A vida continua passando, isso todos sabem.

O que ninguém sabe é:

Onde é que ela passa?

Seria então nos diários secretos, onde estão escondidas

As páginas que descrevem as paisagens não pintadas;

Ou poderia ser, também, nas notas de uma melodia ao fundo,

Enquanto os personagens atuam sob às luzes.

Bem, para ser sincero, eu acredito que ela passa, sim,

Nas marcas evidentes do tempo que não para.

Isso é tão obvio. 

Existe um mistério por detrás: da arte às horas,

Das horas ao dia que se esvai, surgem mais cores.

Secretas! Fora dos jardins, dos ninhos e dos entardeceres.

Estão presas no imaginário do artista que não consegue pintar,

Como uma cena não descrita ou um coadjuvante

Que morreu antes mesmo de existir.

Não estou falando de espaços vazios, mas da contingência

Do que poderia ser ou não ser: da flor que nasceria amarela ou azul,

Mas surpreendeu a todos nascendo vermelha.

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