Poema Vazado
Hoje o dia está mais claro.
Tudo tem uma cor. Palavras.
Escritas no caderno verde.
Falaram da vida.
Três páginas sobre a vida.
A noite já chegou.
As plantas estão regadas.
A casa varrida.
Tudo em seu lugar.
Alguma coisa em meu peito.
Eu não consigo distinguir.
Passando dos meandros do coração.
Esvaziou a poesia que nasceria.
Versos em pontos finais.
Final. Começo inexistente.
Queria vírgulas na brutalidade.
Amaciar a carranca mal-humorada.
Sabe... Chega dessa estrada esburacada:
Gosto do vento entrando pela janela,
Fazendo sua volta, enchendo a casa de opções,
De presentes, deixando o tempo no tempo
E a vida dentro de mim.
Agora ficou claro: a culpa é dos pontos finais.
Em meu peito sempre existiu uma história
Sendo escrita.
Nada acabou.
E mesmo que eles existam,
Os pontos,
Estão entre vírgulas. Entre dois
E a suavidade das reticências...
Que ironia!
Seria então o campo das histórias plantadas?
Ou a falta de sentido na via do destino?
Nada de respostas.
Aqui e ali, um ponto
Que nada significa.
Ralo que escorreu a poesia.
Não porei finais no que é constante,
No meu peito bate a história inacabada,
As linhas vazadas
E as palavras coradas de sol.
Não serei final onde há amanhecer;
Ainda há esperança nos vasos de flores,
Luzes nessa noite de primavera,
Sentimento nas paredes lixadas
De onde os quadros foram roubados.
Eu sabia que tinha algo para extrair daqui.
Não fui o ladrão. Tampouco o serei.
As coisas acontecem de repente,
No espaço de uma piscadela.
Enquanto eu respirava,
O poema acabou
Com um ponto final.
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