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Mostrando postagens de maio, 2021

Adeus, Maio

Acontece que hoje uma chuva ininterrupta invadiu o dia, marcando então o final de maio que vai embora em tons opacos de lembranças felizes. Se as palavras não me fugissem, talvez teria mais coisas para contar. Mas agora tenho de posicioná-las em lacunas e nem sempre estas se dão em espaços viáveis para caber tudo aquilo que tenho a dizer.  Pois bem, caríssimo leitor. Descobri a efemeridade de minhas palavras. O que são elas senão insetos voadores em noites quentes buscando um foco de luz nas frestas de janelas fechadas? Eu sou um ser minguante, querendo escrever a todo instante, vencido pela preguiça, saturado pela mesmice e sufocado por gritos abafados dentro do meu peito. Maio vai embora sem de mim extrair nada. Somente sonhos e ilusões de projetos falidos em páginas, e páginas, e páginas vazias, em branco, sem ao menos um pingo vazado de tinta. Tudo bem. Ao menos planejei um livro. Clichê! O primeiro romance daquele que se diz escritor. Sabe quantas vezes o mês de maio já passou...

Sepultura das Ideias

Uma inspiração patente se estende em meu peito: vontade de escrever interminável? Coisas novas, talvez. Criar histórias e desenhar com elas. Vida em parágrafos. Creio que tenha chegado a hora de eu organizar mais minha vida. Acreditar mais no meu potencial. E, é claro, banir a palavra procrastinação. Eu já aprendi que tudo em ordem fica mais fácil. Prezo tanto por ela em objetos, visto o meu guarda-roupas, que me esqueço de aplicá-la em vida. Dia a dia de uma bagunça abstrata. Imperceptível aos transeuntes cotidianos, porém gritante dentro de mim. É a vida se mostrando em facetas para que eu a conduza mais facilmente. Faria um cronograma hoje se pudesse, mas amanhã tenho outros afazeres. Por ora só estou expressando o desejo de me encontrar na organização das ideias.  Eu estava um tanto quanto sentimental nos últimos dias. Ansioso, quem sabe. Mas agora o jogo virou. Quero mergulhar na literatura. Encontrar histórias perdidas. Pensar em contextos impensáveis para transcorrer no pape...

Peregrino das Páginas Abstratas

Hoje uma sombra pairou sobre minha cabeça, inebriando minha consciência às oportunidades da vida. Esqueci quem eu era em meio ao caos de pensamentos indo e vindo; quase deixei-me sucumbir a opiniões infundadas de pessoas que nada constroem senão seus próprios egos. A vida é cruel às vezes, plantando sementes de árvores frutíferas em solos ressequidos.  É uma saturação sentimental: sentir é pecado aos olhos superficiais. Para eles, fantoches da apatia, valoroso é o desespero da subserviência. A prontidão por fazer-se operário das falácias sociais. São pessoas com campo de visão limitado, de fato. Não as culpo. A vida é quem fez elas assim. Daí a nuvem começou a condensar-se em memórias já sepultadas, trazendo-as à tona dentro de realidades ilusórias. Lembro-me de quando estava vivendo uma ilusão e meu único desejo era ter coragem para viver a trivialidade da vida. O veneno da rotina maçante. Pois bem, é exatamente por isso que passo agora. E por muito apresento fraqueza. Os olhares ...

A Volta do Caderno Verde

O caderno verde voltou a ser preenchido em minha mente. Ontem tive uma reflexão fundamental. Percebi coisas que ainda não tinha percebido; e agora tudo depende de mim. O desânimo é uma armadilha para eu não sair da minha zona de conforto.  Isso é um tanto quanto irônico: falar sobre zona de conforto. Que conforto? Quando muito uma leve ilusão capaz de fazer-me inerte por horas a fio. Ao menos o caderno verde voltou a ter palavras. Dentro da minha cabeça, é claro. Vamos lá: a minha felicidade depende de mim mesmo. Entregar fardos não é uma tarefa diplomática. Se eu expresso o desejo de me sentir útil, quem planta a utilidade em meu cerne sou exclusivamente eu mesmo. E ninguém pode me ajudar neste papel.  Já aprendi que o bendito caderno verde não se escreverá por conta própria. Preciso agir. Ainda que preso em três metros quadrados. E àqueles que buscam fertilizantes artificiais para suas conquistas nada terão senão frustações. Falo isso por experiência própria.  Agora as ...

O Deserto das Desilusões

Uma madrugada perdida no espaço: e cá estou eu escutando uma música de natal no mês de maio. As coisas parecem fora do lugar, desorganizadas; muitos sonhos, poucas oportunidades. Mas o coração ainda bate com amor. A esperança arde em um peito desesperado pela luz no fim do túnel.  Talvez eu devesse pensar menos... E não me preocupar tanto assim. Apenas deixar o fluxo seguir seu itinerário e me levar na correnteza das minhas emoções. Ultimamente tenho expressado muitas delas, sendo a principal inominável. Ainda não a descobri. É um processo! Não sei o que sinto, apenas abro a escotilha para respirar um pouco e... deixa pra lá. Depois eu volto aqui.  Agora é tarde. Uma tarde ensolarada com o frio do outono. Eu gosto. Embora esteja preso no quarto dos meus pesadelos. Preciso escrever mais. Tenho enterrado a arte profundamente e não estou sendo capaz de encontrá-la. É o deserto das desilusões.  Tenho sede de algo que não sei o que é. Sinto emoções que vibram em três metros qu...

E nada digo...

Estou atravessando esta madrugada sozinho e alguns pensamentos nostálgicos começaram a me assombrar como fantasmas de um passado há muito enterrado. Sinto uma solidão lancinante como um projetor de experiências desperdiçadas. Até meu coração está palpitando agora. Ainda que uma música ecoe pelo quarto, o silêncio predomina na minha essência agitada, trazendo a vontade de viver a vida intensamente — e não poder.  Com certeza este texto será finalizado uma outra hora. De sol, claridade e calor. O frio me avassala. Agora não tenho cabeça para escrever. Preciso sentir esse momento de calafrios. A vida é um rio e as madrugadas são remansos morosos em que as embarcações ficam à deriva, sem saberem para onde ir. Algumas luzes vêm na minha cabeça; imagino faróis de carros passando aos montes por ruas de grandes cidades tumultuadas. Projeção da vida acontecendo longe de mim. Enquanto isso, sigo aqui: parado. É desesperador? Sim. Mas já era de se esperar que isso fosse acontecer. Vejam só um...

Quarto dos Meus Fantasmas

Caminhos sentimentais, pensamentos de outono, sol dileto, calor minguante, manhãs perdidas, madrugadas vividas, sem horizontes, somente muros de tijolos com heras tímidas tentando crescer por entre os espaços acinzentados. É noite, outra vez, e a vida corre comigo preso em quatro paredes. Pensamentos de um futuro incerto me fustigam. O que fazer? Bem... Os sintomas da minha ansiedade fazem com que eu me perca na escuridão dos ofícios não desempenhados.  Necessito tornar-me possuidor de uma utilidade pessoal sólida, mas no momento não tenho conseguido. Os escapes vem e vão, sendo um deles aumentar a sensibilidade e percepção de fatos e acontecimentos quase irrelevantes ou imperceptíveis. Um exemplo? Minha sombra projetada na parede pela luz da luminária.  Eu preciso encontrar um caminho. Eu preciso encontrar uma forma de acabar com a ociosidade. Pressão psicológica. Cobranças atrás de cobranças. Meu Deus! É apenas uma fase.  O caderno verde permanece fechado. Nenhuma ação....

Ainda Tem a Saudade...

Que desânimo é este, meu Deus? O que está acontecendo comigo? Parece que eu esqueci tudo o que aprendi ao longo desse tempo. Parece que a escrita fugiu de mim desesperada para respirar ar puro de outras regiões não tão poluídas com preocupações infundadas. Ela fugiu de mim para não ser afetada pela ansiedade que me consome. E eu só fico deitado observando as paredes do quarto manchadas pela morte de dezenas de pernilongos assassinados pela fúria de quem teve a noite interrompida com zumbidos estridentes.  Eu não tenho nada para escrever mais. O dom se partiu em frangalhos. O cristal se quebrou e eu, como louco solitário, venho tentando colá-lo com uma cola imprestável. Será que jamais serei capaz de transformar meus transtornos em arte? Arte! Não é uma piada. Enquanto o ar nos permite respirar para sobreviver, a arte nos permite sobreviver para respirar. Um novo parágrafo? Que audacioso. Tão vazio quanto a mente de quem escreve. Mais um vagabundo sonâmbulo que sonha sonhos de cores...

Ócio das Reminiscências

Eu sei que as coisas estão meio estranhas ultimamente. Os textos não se encaixam. Os quadros não fazem sentido. O silêncio se dissipa numa parada de tentativas frustradas. Cá estou eu, sozinho com os livros há muito lidos. Páginas que não se abrem mais. Fantasmas de uma vida gloriosa que passou na calda de uma estrela cadente.  Até a água permanece na garrafa. Não é bebida. E o outono está aí, trazendo tons de bronze às poesias inexistentes de um escritor fracassado. Vejam bem, leitores imaginários, o reflexo do espelho expõe a luz da luminária virada à parede. Nada passa despercebido pelos olhos de quem está  acostumado a escrever trivialidade. Mas sigamos aos fatos: hoje o dia aconteceu fugindo de seu ciclo concêntrico.  Viajei no segundo andar de um ônibus, no primeiro assento. Tive uma visão panorâmica da estrada que liga Belo Horizonte a Juiz de Fora em um dia daqueles que se perpetuam em histórias fantasiosas. Os poucos minutos de sono da noite anterior não foram co...

Privações

Depois de ter passado mais de um mês na casa de Otávio, amanhã volto para minha com o coração apertado. Estou farto de afirmar para mim mesmo que depois que o coração passa amar incansavelmente, não existe mais um minuto de paz na vida dos amantes. Digo isso porque estar longe é sofrer. E eu sofro com a distancia. Sofro com preocupações imaginárias; abutres que pairam sobre as linhas do pensamento. O desejo de estar sempre perto é como uma avalanche de angustia que varre todas as outras coisas, e só quem ama alguém a quilômetros de distância entende o que é isso. O desejo é um monstro faminto. Coração partido nas entranhas do ser vivente. Eu queria fazer tantas coisas que não posso que já sinto a privação como um manto de desordem perdido em tardes invernais. E os sonhos, então... Estes que não podem ser sonhados. São lâminas escondidas em um chão de violetas. Agora estou sozinho, enquanto Otávio está na academia. A luz baixa e cansativa do quarto, o zumbido do computador ligado, a gar...

Tempestade Trivial

Hoje um aperto consome o meu coração. Se me perguntarem, eu não sei o porquê! Só sei que uma nuvem misteriosa vem cobrindo meus pensamentos, transformando em tempestade ações triviais e corriqueiras do dia a dia. Tempestade que me cansa, me avassala, me devasta, me leva e me joga fora.  Sinto que as histórias são contadas sem mim. Sinto que a vida passa somente fora das paredes do quarto em que escrevo estas linhas imaginárias. Os livros não conversam mais comigo. Depois que traí a escrita com desejos fantasmagóricos de noites estreladas, pude me ver numa estrada sem fim: plana, lisa, sem curvas ou obstáculos. Sem surpresas! Apenas o nada, e nada mais.  Páginas em branco corridas pelo vento. Relógio que corre dando voltas em um mesmo capítulo. Ânimo que se esvai como areia de uma ampulheta quebrada. E eu ainda falando de tempestade... Como posso ser tão superficial a ponto de não perceber o que acontece comigo? Como posso agir de tal forma sendo um errante de peripécias imagin...

As Gavetas me Perseguem

Estou me sentindo um pouco perdido. Como se a vida se mostrasse cruel para as escolhas que fiz. Em um labirinto de decisões incertas, como grãos de areia caindo lentamente dentro de uma ampulheta ofuscada. Fiz certo? Não sei... Por vezes sinto que traí a escrita. Que nada mais escrevo senão frases soltas de um contexto ilusório. Tudo o que faço, sem reconhecimento. Embora eu já tenha dito por inúmeras vezes que eu não preciso dele, existem tempos que as gavetas cheias de papéis preenchidos não são mais suficientes. Eu, mero mortal, como já disse em outras cartas, sou um ser carente. Necessito de atenção. E as gavetas não falam comigo. Não me dão retorno. Não enchem meu prato. Não me dão segurança. Não facilitam as coisas. As gavetas são quadradas, rasas, escondem os segredos que precisam ser revelados.  Nunca quis ser um escritor de gaveta. Acho que também ninguém quer. Mas é tudo o que eu tenho. Por mais que eu me esforce, não consigo sair dela. A gaveta me persegue pelas vielas n...