Adeus, Maio
Acontece que hoje uma chuva ininterrupta invadiu o dia, marcando então o final de maio que vai embora em tons opacos de lembranças felizes. Se as palavras não me fugissem, talvez teria mais coisas para contar. Mas agora tenho de posicioná-las em lacunas e nem sempre estas se dão em espaços viáveis para caber tudo aquilo que tenho a dizer. Pois bem, caríssimo leitor. Descobri a efemeridade de minhas palavras. O que são elas senão insetos voadores em noites quentes buscando um foco de luz nas frestas de janelas fechadas? Eu sou um ser minguante, querendo escrever a todo instante, vencido pela preguiça, saturado pela mesmice e sufocado por gritos abafados dentro do meu peito. Maio vai embora sem de mim extrair nada. Somente sonhos e ilusões de projetos falidos em páginas, e páginas, e páginas vazias, em branco, sem ao menos um pingo vazado de tinta. Tudo bem. Ao menos planejei um livro. Clichê! O primeiro romance daquele que se diz escritor. Sabe quantas vezes o mês de maio já passou...