Tempestade Trivial

Hoje um aperto consome o meu coração. Se me perguntarem, eu não sei o porquê! Só sei que uma nuvem misteriosa vem cobrindo meus pensamentos, transformando em tempestade ações triviais e corriqueiras do dia a dia. Tempestade que me cansa, me avassala, me devasta, me leva e me joga fora. 

Sinto que as histórias são contadas sem mim. Sinto que a vida passa somente fora das paredes do quarto em que escrevo estas linhas imaginárias. Os livros não conversam mais comigo. Depois que traí a escrita com desejos fantasmagóricos de noites estreladas, pude me ver numa estrada sem fim: plana, lisa, sem curvas ou obstáculos. Sem surpresas! Apenas o nada, e nada mais. 

Páginas em branco corridas pelo vento. Relógio que corre dando voltas em um mesmo capítulo. Ânimo que se esvai como areia de uma ampulheta quebrada. E eu ainda falando de tempestade...

Como posso ser tão superficial a ponto de não perceber o que acontece comigo? Como posso agir de tal forma sendo um errante de peripécias imaginárias? Eu não quis nadar sem chegar a lugar nenhum, mas eu sequer sabia o tamanho do oceano que enfrentava.

As escolhas já foram feitas e não tem mais volta. A vida corre. Fustiga os cavalos da carruagem temporal. E eu? Sou a folha seca que o vento levou. As escolhas mal feitas de um jogo de cartas. As poesias perdidas no fundo de gavetas trancadas. 

E eu ainda insisto em falar de tempestade!

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