Adeus, Maio

Acontece que hoje uma chuva ininterrupta invadiu o dia, marcando então o final de maio que vai embora em tons opacos de lembranças felizes. Se as palavras não me fugissem, talvez teria mais coisas para contar. Mas agora tenho de posicioná-las em lacunas e nem sempre estas se dão em espaços viáveis para caber tudo aquilo que tenho a dizer. 

Pois bem, caríssimo leitor. Descobri a efemeridade de minhas palavras. O que são elas senão insetos voadores em noites quentes buscando um foco de luz nas frestas de janelas fechadas? Eu sou um ser minguante, querendo escrever a todo instante, vencido pela preguiça, saturado pela mesmice e sufocado por gritos abafados dentro do meu peito.

Maio vai embora sem de mim extrair nada. Somente sonhos e ilusões de projetos falidos em páginas, e páginas, e páginas vazias, em branco, sem ao menos um pingo vazado de tinta. Tudo bem. Ao menos planejei um livro. Clichê! O primeiro romance daquele que se diz escritor. Sabe quantas vezes o mês de maio já passou por mim? Algumas, e nenhuma delas com palavras efêmeras de um romance ainda não escrito. 

Ópio de um otimismo fajuto. Ou seria uma mentira contada a mim? Pelo escritor que em mim abita, preso na jaula do orgulho sem uma noite de sono para sonhar com dias mais coloridos. Apesar dos pesares, eu ainda consigo ver beleza em dias cinzas como este. É maio fechando com mãos geladas o odre vazio de sua essência. 

Tudo o que posso ser, sou. Em projeções de pensamentos lançadas em paredes repletas de quadros estáticos. Nenhuma obra de arte, por ora. Aos poucos vou fazendo a limpeza desse ambiente, a fim de encontrar espaço para o que eu realmente quiser projetar. No mais, adeus, maio.

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