E nada digo...
Estou atravessando esta madrugada sozinho e alguns pensamentos nostálgicos começaram a me assombrar como fantasmas de um passado há muito enterrado.
Sinto uma solidão lancinante como um projetor de experiências desperdiçadas. Até meu coração está palpitando agora. Ainda que uma música ecoe pelo quarto, o silêncio predomina na minha essência agitada, trazendo a vontade de viver a vida intensamente — e não poder.
Com certeza este texto será finalizado uma outra hora. De sol, claridade e calor. O frio me avassala. Agora não tenho cabeça para escrever. Preciso sentir esse momento de calafrios. A vida é um rio e as madrugadas são remansos morosos em que as embarcações ficam à deriva, sem saberem para onde ir.
Algumas luzes vêm na minha cabeça; imagino faróis de carros passando aos montes por ruas de grandes cidades tumultuadas. Projeção da vida acontecendo longe de mim. Enquanto isso, sigo aqui: parado. É desesperador? Sim. Mas já era de se esperar que isso fosse acontecer.
Vejam só uma promessa quebrada: falei que iria terminar este texto outra hora. Já transcorro pelo quinto parágrafo. Parece que eu tenho muito a dizer. E nada digo... Talvez um dia eu aprenda a deixar os fantasmas morrerem.
Comentários
Postar um comentário