Quarto dos Meus Fantasmas

Caminhos sentimentais, pensamentos de outono, sol dileto, calor minguante, manhãs perdidas, madrugadas vividas, sem horizontes, somente muros de tijolos com heras tímidas tentando crescer por entre os espaços acinzentados.

É noite, outra vez, e a vida corre comigo preso em quatro paredes. Pensamentos de um futuro incerto me fustigam. O que fazer? Bem... Os sintomas da minha ansiedade fazem com que eu me perca na escuridão dos ofícios não desempenhados. 

Necessito tornar-me possuidor de uma utilidade pessoal sólida, mas no momento não tenho conseguido. Os escapes vem e vão, sendo um deles aumentar a sensibilidade e percepção de fatos e acontecimentos quase irrelevantes ou imperceptíveis. Um exemplo? Minha sombra projetada na parede pela luz da luminária. 

Eu preciso encontrar um caminho. Eu preciso encontrar uma forma de acabar com a ociosidade. Pressão psicológica. Cobranças atrás de cobranças. Meu Deus! É apenas uma fase. 

O caderno verde permanece fechado. Nenhuma ação. Mas amanhã o sol ressurgirá e talvez o desejo de voltar à rotina de estudos renasça das cinzas espelhadas pelo vendaval de emoções. 

A esperança não se despede enquanto eu não virar as costas para ela. Está firme como uma flor em chão pedregoso, crescendo nas frestas sufocantes como eu vivendo no quarto dos meus fantasmas.

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