O Deserto das Desilusões
Uma madrugada perdida no espaço: e cá estou eu escutando uma música de natal no mês de maio. As coisas parecem fora do lugar, desorganizadas; muitos sonhos, poucas oportunidades. Mas o coração ainda bate com amor. A esperança arde em um peito desesperado pela luz no fim do túnel.
Talvez eu devesse pensar menos... E não me preocupar tanto assim. Apenas deixar o fluxo seguir seu itinerário e me levar na correnteza das minhas emoções. Ultimamente tenho expressado muitas delas, sendo a principal inominável. Ainda não a descobri.
É um processo! Não sei o que sinto, apenas abro a escotilha para respirar um pouco e... deixa pra lá. Depois eu volto aqui.
Agora é tarde. Uma tarde ensolarada com o frio do outono. Eu gosto. Embora esteja preso no quarto dos meus pesadelos. Preciso escrever mais. Tenho enterrado a arte profundamente e não estou sendo capaz de encontrá-la. É o deserto das desilusões.
Tenho sede de algo que não sei o que é. Sinto emoções que vibram em três metros quadrados com páginas e mais páginas não lidas. E os deveres passam rasteiros tentando chamar minha atenção que, por sinal, volta-se a mim mesmo. Ou não... Não tenho pensado em mim.
Apenas em deitar-me nos pensamentos nocivos. Vamos lá, Filipe! Pense menos! Os que pensam muito sofrem mais. Facilite sua vida. Você não é os pensamentos que consomem sua vitalidade. Enxergue as cores a sua volta e pinte o céu estrelado de seus sonhos.
Algumas coisas fazem sentido agora. Mergulhei profundamente em escolhas infundadas e a vitalidade de outrora vazou pelos buracos da minha alma. Fiz certo? Talvez o certo seja subjetivo e meu campo de visão não me permita ver o todo. E que todo é esse que se esconde em ângulos agudos de sentimentos desconhecidos.
Os três metros quadrados me apertam cada vez mais. Não vejo as horas passando. Para mim é noite todos os dias. O sol que antes me prestigiava corando minha fronte, hoje sequer sabe o que passo na escuridão. A mim restou apenas a fluorescência de uma lâmpada ressaltando minhas veias minguadas.
Quem diria que eu passaria por escritor de cartas a ninguém. Gavetas empoeiradas e janelas fechadas. Pássaros silenciosos de uma tarde perdida. As histórias não param! E, afinal de contas, ah, deixa pra lá...
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