Ainda Tem a Saudade...

Que desânimo é este, meu Deus? O que está acontecendo comigo? Parece que eu esqueci tudo o que aprendi ao longo desse tempo. Parece que a escrita fugiu de mim desesperada para respirar ar puro de outras regiões não tão poluídas com preocupações infundadas. Ela fugiu de mim para não ser afetada pela ansiedade que me consome. E eu só fico deitado observando as paredes do quarto manchadas pela morte de dezenas de pernilongos assassinados pela fúria de quem teve a noite interrompida com zumbidos estridentes. 

Eu não tenho nada para escrever mais. O dom se partiu em frangalhos. O cristal se quebrou e eu, como louco solitário, venho tentando colá-lo com uma cola imprestável. Será que jamais serei capaz de transformar meus transtornos em arte? Arte! Não é uma piada. Enquanto o ar nos permite respirar para sobreviver, a arte nos permite sobreviver para respirar.

Um novo parágrafo? Que audacioso. Tão vazio quanto a mente de quem escreve. Mais um vagabundo sonâmbulo que sonha sonhos de cores inexistentes. E para piorar, ainda tem a saudade. Porém eu me recuso a falar dela. 

Não vou dar esse gostinho à saudade irrisória. Dela, só meu riso sem graça. Só meu vazio cômico para transformá-la em um palhaço de um circo falido. E as lagrimas escorrem para onde a vida não pode me levar.

É um jogo. De fato. O caderno verde está aqui, parado. Suas páginas preenchidas de nada mais valem. O mundo mudou nos últimos meses. E o quarto dos pernilongos mortos agora está mais escuro e frio. Embora haja música, há também aperto no peito. Pois é, o inverno chegou. E a luz da luminária agora expressa uma nostalgia pela presença daquilo que já aconteceu. Tudo é lembrança agora. 

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