Chuvas e o Relógio na Parede

Hoje eu meditei sobre algo importante, mas já esqueci o aprendizado.

A chuva o levou. Não me lembro de um janeiro tão chuvoso quanto este. Há muito não vejo um céu azul.

Está bem! Sobre o que havia pensado, o aprendizado é o seguinte:

A todo instante tenho me cobrado muito para estar sempre fazendo algo de útil — seja escrevendo, lendo, estudando ou qualquer outra coisa que agregue uma carga de utilidade no compasso do relógio pregado na parede.

Tique-taque interminável e moroso.

Acontece que eu pensei: por que ficar assim, buscando sempre uma definição de encargos para preencher as horas vagas? Não há motivo algum. Daí me veio à mente um época que já passou, mas que eu podia entender mais como o tempo funcionava. Existe momento para tudo. Até para aceitar o descanso. Ainda que ele dure. E o que os outros vão pensar pouco importa.

Filipe, agora estou falando com você:

Você sabe que faz o seu melhor. Não precisa retirar sua tranquilidade de cena — se é que ela existe — toda vez que algo ou alguém tentar adentrar sua zona de conforto. Deixe que eles conheçam a verdade impressa no seu real significado. Deite-se e permita-se sentir o corpo ancorado às vezes. Está tudo bem quanto a isso. Palavras vazias não ocupam espaço em lugar algum. Sei que você está aprendendo a lidar com a ansiedade e isso é ótimo. Um grande passo que você pode dar é este: não se importar com o que digam sobre você, por piores que sejam as frases. A verdade sempre prevalecerá! Agora, esvazie sua mente. As coisas vão rolar com naturalidade, no seu tempo; e o relógio na parede nada significa. Deixe o tempo cumprir sua missão.

Assim termino meu relato. E volto ao pedestal de poeta: chuvas torrenciais. Não para de chover há dias. Talvez eu devesse colocar minhas palavras para fora, esperando que se molhem bem... E floresçam quando chegar a hora.

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