Verde no Campo de Batalha

Estou escrevendo em cima de uma toalha branca bordada com flores.

Não vejo a mesa. Não vejo sua cor. Sei apenas que ela apoia minhas palavras.

A toalha fantasia a realidade. E minhas palavras fantasiam um céu nublado em pleno verão.

Os pássaros se foram, bem como as plantas, as cores, as borboletas, os sorrisos e as cantigas.

O verde que antes vibrava deixou de existir.

Outro dia; outra tempestade.

Agora pude me acalmar e colocar a cabeça no lugar.

Antes deparei-me com o monstro da ansiedade, trazendo consigo aquilo tudo:

Palpitação, falta de ar, pensamentos borbulhantes, trens desgovernados, choques de raciocínio.

Parei por um instante. Ouvi a voz da chuva: "tenha calma, tudo vai dar certo".

Mas estou cansado. Esgotado. Limitado a sentir as paredes me cercando e a viver a base de doses de esperança.

Li uma ficção, ela me levou para outro planeta. Pensamentos ruins vieram e eu os substituí por pomares carregados de frutas vermelhas.

Talvez esteja caminhando no limiar da loucura. 

O pior é que a ansiedade tem tomado a capa do passado e, ao invés de me mostrar um futuro contingente, ela brinca com nuances de alegrias que não voltam mais. Isso tem me entristecido. Mas tento não demonstrar. 

Preciso ser forte para intermediar essa batalha do "nada" contra o "vazio". No campo, o verde renascerá.

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