Folhas Perdidas

Sobre os contos que desapareceram: tudo se perdeu.
Propositalmente.
Incinerados por minhas próprias mãos. Há textos que devem ficar no passado. E este, ser esquecido.
Como quando meu computador caiu no chão e se quebrou, fazendo-me perder o início da secreta e nunca mencionada história da árvore prateada.
Também perdi fotos de anos. Mil? Duas mil? Quem sabe três? Enfim... O real está presente no agora, qualquer coisa além é mera ilusão. Números, letras, pontos sem fim.
Aprender a perder é virtude, sim. Pois quando joguei as páginas pela janela, tirei um peso de minhas costas sabendo que aquilo não mais me pertencia.
Voaram no precipício. Claro que metaforicamente. Não havia precipício, tampouco janela. Apenas um botão que, uma vez apertado, tudo excluiu de minha vida.
Não há provas. Nem lembranças.
Frases que se desfizeram. Desencacharam-se em pencas de letras desgovernadas rumo ao chão. Posso dizer que eram de vidro.
Daí, o fim. Este é apenas um fragmento de um texto sem graça, numa tarde sem graça, de uma vida sem graça. 
Fechem as cortinas, não quero ver nenhuma folha perdida adentrando quartos escancarados.

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