Fragmento do Céu Estrelado

Fases de transições são recorrentes numa vida conturbada de pensamentos indo e vindo, sem parar. Elas surgem disfarçadas nos momentos em que vista fica cansada e os óculos já não garantem mais uma paisagem perfeita. Está na hora de mudar as lentes dos meus. Quantas coisas pude ver com elas, quadradas e grandes, apoiadas em meu nariz. Mas agora está na hora de guardá-las. Está na hora de trocar os óculos e ver o mundo de uma forma mais apurada, racional e certeira. 
Gostaria de deixar claro que vários projetos têm circundado a minha cabeça e estão prestes a pousar como gaviões famintos. Enquanto isso, outros se desfazem em meio à fina areia do tempo que os cobre. Mais dia ou menos dia, serão esquecidos. Enterrados nos cemitério das ilusões.  
Posso ser quem sou, e deixar de ser também. Já não me conheço mais. Perdi-me em meio às palavras. As frases deixaram os sentidos das vias e se marginalizaram para as bandas do não querer.
Como disse: já não me conheço mais. Os desejos voaram e seguiram o sol que se escondeu atrás dos montes. O relógio parou, as lágrimas secaram, o vento rasgou as roupas no varal, a roseira perdeu os espinhos, o dia perdeu a noite, e eu — bem, eu ganhei um sorriso quando vi que as estrelas não me abandonaram.

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