Razão Contingente
Não deixarei a chama da vela se apagar. É preciso mantê-la acesa sempre. E para isso, darei o meu melhor.
Mas vamos falar de verdade o que se assola no campo minado das ideias.
Nada. Brilhantemente nada.
E, como tanto, o "nada" se faz em maresia de um oceano que já secou. Apesar de chover por dias consecutivos. Enfim, vamos recomeçar tudo, mais uma vez:
Estou esperando — desejo vibrante pela volta dos papéis rasgados. Dessa vez, sem linhas ou margens. Apenas pedaços avulsos de papéis jogados pelo chão do poeta. Cada um com sua respectiva palavra — ou metade dela; talvez; quem sabe, apenas com a brancura de uma lembrança não escrita.
Seria isso meu espelho de pensamentos? Amando e querendo estar junto ao meu verdadeiro eu, recolhendo palavras de papéis rasgados e abandonados. Simplesmente por querer escrever.
Acontece que a verdade, propriamente dita, é que eu não estou escrevendo nada. Só estou querendo ver a carruagem do tempo passar pelo vidro da janela fechada. Com isso, a chuva tenta encher o oceano que secou em vão. A água escoa pelas linhas que se formaram por rachaduras egoístas.
Uma sensação horrível de solidão, talvez. Ou algo semelhante a isso. Nada faz sentido. Tampouco importa.
Tudo não passa de uma causa buscando razão nas entrelinhas, contornando uma superficialidade egocêntrica.
Creio que seja melhor eu partir. Arrumar as malas e ir embora dessa bagunça formalizada. E me encontrar mais uma vez nos pormenores da razão contingente.
Que coisa, não?!
Reaprendendo a ser e não ser; ganhar e perder. No fim, eu nunca tenho razão.
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