Órbita das Palavras

Vamos combinar que agora eu escrevo realmente para ninguém.

Perdi o estilo, as margens, o espaçamento... Perdi a ferramenta! 

A força de se pegar numa caneta. Ninguém se importa. 

Ainda que eu resolvesse utilizar um lápis... Ele se quebrou bem no meio.

Estou com estranhos sob o mesmo teto. Flores desconhecidas. Cantos descompassados.

A verdade é que eu não sei o que estou fazendo. Recuso-me assumir uma crise existencial.

Vejo algo como um planeta saindo de órbita e adentrando o vazio do espaço desconhecido.

Sozinho e sem ter sequer um sentido para guiá-lo pela imensidão enegrecida.

Hoje as palavras perderam o valor. O sol não apareceu... E eu, mais uma vez, caminho em um campo saturado.

Antes eu pudesse ser a estrela cadente vista dos altos montes. Teria espectadores. 

Meu caminho levou-me à solidão. O planeta não mais reluz e eu pouco me importo com a estética das frases não lidas.

Para que servem? Não são lidas. São jogadas, brincando de astros pelos sistemas. Não querem saber de compromissos. 

A mim, resta-me somente deitar sobre os campos gelados. Na esperança de ver pelo menos uma que resolveu voltar para casa.

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