Retalhos da Vivência
Parece haver uma neblina impedindo minha visão. Não é à toa que os dias estão tão escuros e chuvosos; que os passos estão tão pesados; que as nuvens desceram para se esconderem nas vielas iluminadas por luzes amarelas.
Pedras molhadas compõem as calçadas por onde ando, sem sequer poder enxergar um palmo à minha frente. Cansei de todo esse cinza, dessa umidade teimosa, das paredes geladas e das portas e janelas fechadas para o mundo. Cansei de pisar em poças quando faltam pedras e de me sujar.
Sinto falta do sol, das tardes quentes alaranjadas, das noites estreladas e dos sonhos que um dia sonhei. E os exemplos vão remendando o dia que vai chegando ao fim. Retalhos da vivência.
Queria ter mais coisas para falar; quem sabe depois que eu der oportunidade a uma nova manhã? Até lá, estarei onde os escritores naufragados se apresentam: no silêncio de seus corações.
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