Cantar para Sempre

E essa nova vida? Com músicas, plantas, dias claros e conversas jogadas fora.

Eu realmente não tenho do que me queixar. Cores, paletas, pincéis: o quadro está aí.

Caminhei por estradas perdidas que os mapas não mostram. Ninguém precisa passar pelo o que passei. Para chegar aqui?! Não mesmo. Mas eu, bem, eu fui tropeçando pelas pedras pequenas e grandes, pedras de todos os tamanhos, para alcançar um ponto de visão. Sei que agora tenho aprendido a esvaziar o coração. Deixá-lo livre. Flutuante. Foram tantas provas. Para quê? Para provar que sou algo que não sou. Para provar que me destaco em meio aos abutres, ficando com a parte maior da carniça. Que ironia. Eu, que pregava a simplicidade, tentando vender uma imagem idealizada de um ser impreciso. Um desequilíbrio de anseios, tombando para fora dos muros que construí.

Demorei muito até pegar no martelo e quebrar tudo. Quero apenas ver o céu. Quero poder me deitar e sorrir para as nuvens. Olá, para você, que me viu enlouquecido na chuva. Vamos dançar! Eu quero pular nessa cascata de luz. Vamos alongar as pernas, subir nas árvores, comer as goiabas, chupar as laranjas e jabuticabas. Correr atrás dos gansos até que entrem no lago esverdeado. Verde! Eu quero muito verde. Folhas verdes. Grama para correr. Salada para comer. É isso que é a vida: uma planta rompendo o solo. Eu quero romper. Vamos juntos. Eu te ajudo. Já passei por isso. 

Olha, um peixe! Qual é sua cor? Não importa. Ele está na água, e na água tudo é vida. Temos de ser vida. Mergulhar fundo, encontrar as conchas, os cavalos-marinhos, as estrelas-do-mar, as pérolas e os corais. Depois flutuamos. Subimos a montanha, seguimos pelo sol, encontramos um balão e damos a volta ao mundo. Tudo isso sem nos preocuparmos.

Eu não quero olhar mais para o relógio. Tampouco para o calendário. Seja a hora que for, o dia que for. Eu vou. Vou sem voltar. Desenhando coisas simples, com lápis de cor. Ligar os pontos das estrelas do céu. Oh, nervoso?! Se já fui, nem me lembro. Nervos de pétalas, velas nos candelabros do salão. São apenas reflexos no espelho. Fantasmas frustrados. Todos cantando uma canção para o pôr do sol no fim. Amanhã é sexta-feira. De um novo dia, de uma nova semana, de um fim de ano para um novo ano. Tudo é luz daqui de cima. Os polos não anoitecem no verão. Por isso podemos cantar para sempre.

Hoje é dia de vitória. Venci os medos, os fantasmas, a escuridão dentro de mim, os anseios inconstantes, tudo isso, para me encontrar com você, caminho sem volta. Berço dos poetas enlouquecidos, ensejo de criar e recriar formas abstratas, e colocá-las nos degraus da escadaria. Seja o que for, eu escrevo para viver de luz. Fazer a fotossíntese das palavras. Quero histórias vibrantes, encontros marcados, pomares carregados, cristais de sonhos encontrados nas cavernas mais profundas. É agora a hora de celebrar o que a vida nos deu, meu caro amigo!

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