O Segredo da Verdade (OK)
No dia em que dei a mão à verdade ela me mostrou um segredo.
Abriu uma caixa.
No canto mais fundo do armário, escondida entre outras caixas,
Lá estava ela: opaca, simples, confusa na escuridão, estática,
Esperando o tempo de ser redescoberta.
Sua tampa quadrada, de papel amassado, grosso e áspero,
Depois de tantos anos, pôde firmemente se desvincular da base.
O segredo da verdade lá estava, no fundo da caixa perdida,
Tão próximo durante esse tempo, e mesmo assim distante.
Não era ouro; não era prata; não brilhava à luz do ambiente,
Nem refletia meu semblante surpreso.
A verdade o apanhou e o depositou em minha mão,
À forma de um sentimento velado,
À guisa de um desejo perdido,
Ao passo em que não compreendia,
Ao molde em que me dava seu tesouro mais preciso.
Era um bloco de folhas com uma caneta.
A verdade então pôde dizer-me:
"Agora que me conhece, viu o meu rosto, deu-me sua mão,
Caminhou comigo por aí, desprendendo sorrisos
De quem vê o mundo com leveza,
Você pode começar de novo!"
"Começar o quê?" Sem entender, perguntei-lhe.
"Uma nova história! A história da verdade,
Sua amiga, criança descalça, brincando nas pedras de um rio,
Correndo pelos pomares da vida.
Agora que me conhece, meu amigo, pode recomeçar.
Pode fazer de novo, fazer melhor.
Atente-se às novas palavras que estão por vir,
Costure as paisagens com cores marcantes,
Para se emocionar depois. A vida precisa de emoção."
Feito isso, a verdade fechou a caixa, o armário, o quarto;
Sob a luz do dia, fez-me pegar a caneta e escrever a primeira palavra:
"Memórias"
Seguida por outras:
"De uma vida escondida".
Recebi um abraço verdadeiro, no que compete os braços
De sempre demonstrarem a verdade em ações.
As histórias seriam muitas. Tortuosas e torturantes,
Que se desembaraçariam nos desejos sinceros
De simplificar o que foi um dia presente.
A ausência das horas não mais importa
Quando não existem relógios,
Pois os dias seguem sendo dias, para todos que ousam sair
E comtemplar suas belezas.
Não me preocupo com o que houve, apenas escrevo;
Em um dia bonito, cativante e singular.
Um dia de sol, de quase verão, de amor no coração
E palavras de verdade para formarem uma história.
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