Mar Congelado
Estou perdido em meio a tantas informações. Não sei qual delas me fará bem. Quero aprender o essencial, mas ele está flutuando junto a outros seres flutuantes que o comprimem em um curto espaço de mar. Se o essencial fosse um pouco mais pesado, talvez afundaria. Mas é leve. Menos denso que o líquido sob seu corpo. Acho que muitas pessoas quiseram contemplar o vazio; acabaram enchendo o espaço e sufocando os essenciais da vida. O mar, que antes era para se perder no horizonte, passou a ser um delírio de banhistas desesperados por informações e conhecimentos. Ninguém mais sabe filtrar nada. Ninguém mais fala em voltar à praia. Ninguém aprendeu a nadar e mesmo assim flutua por ser inflado demais. Impressionante a força de vontade para captar os momentos. Será mesmo que captam? Querem transformar o dinâmico em estático; cortar a correnteza do rio e o crescimento das árvores. Amam os perfumes das flores desde que estejam reprimidos aos frascos. Ah, mais uma vez! Mais uma vez estamos no mar das desilusões.
Esse primeiro parágrafo foi bastante curioso. Nem eu mesmo consegui entendê-lo. São vozes de uma vida repleta de vazios, tentando imaginar uma imensidão que pudessem preencher. Como minha imaginação está fraca, temos o mar. Na verdade, não se trata de fraqueza. O que tenho é um inconstante desejo de fazer o não feito. De preencher lugares impreenchíveis. De dar voz ao indizível. Estou cansado. Cansado de soterrar ilusões luzentes para não me enganar. Para não me deixar iludir. Cansado também de podar sonhos, viver na persistência de um dia melhor, querer entender o que não me diz respeito como se eu fosse onipresente. Como se eu fosse todos os grãos de areia de uma pequena praia. Que diferença isso faz? Não estou numa praia, muito menos flutuando em alto-mar. O que tenho é apenas incompreensão dos acontecimentos não muito distantes de mim. Todos dentro da minha cabeça.
Estou ficando preocupado. Um parágrafo sem sentido atrás do outro. Coisas que vão além dos limites da compreensão. Se tem algo que eu não possuo, é ela: compreensão. E a vida vai ganhando formas abstratas. Em um instante, tudo se congela. E o mar outrora flutuado se transforma em uma imensa placa de gelo. O que antes estava na superfície se configura ao ambiente petrificado. Tudo flutua. Até mesmo o espaço. Daí percebo que aprendi a transformar tudo em pedra e agora me desespero por não saber reverter a imensa placa de gelo em água outra vez. A vida é assim? Atualizações imprecisas de desespero, trazendo aos joelhos uma nova forma de se prostrar diante das adversidades? Espero que não!
Provavelmente este é o último parágrafo de um texto cuja voz não é minha. Mas do que eu aparento ser. Cansei de conduzir as palavras à fantasia da imaginação. Queria escrever algo sério; algo que não fugisse do real. Não me enveredar às recônditas artimanhas da escritas em descrever um ambiente para o sentimento. Em vão! Falei de mar; do infinito que nunca consegui descrever além de águas salgadas. De uma mente que pensa demais e não consegue transformar a forma da expressão em arte por estar presa às amarras dos incomodados. Foram quatro parágrafos de desgaste. Um incongruente ao outro. Inimigos na essência, que mantêm as aparências para não propagarem aquilo que tanto se afastam. Chegará o tempo em que eu jogarei tudo isso em uma grande fogueira. Assim verei poesia nas centelhas desprendidas e na fumaça que subir. Será o tempo de não falar mais em tumulto ou caos, mas apenas de sentar ao redor do fogo para me aquecer, contemplando o mistério da chama e sua melodia que ecoa pela noite sem fim.
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