Tempestade de Areia

Pela manhã, tive uma mente limpa.
Ao meio dia, ela se decompôs.
Feito algo que se decompõe na natureza. 
Virou espaço; camuflado e escondido.
Às três, uma tempestade de areia encobriu meu horizonte.
Tudo se misturou. Tudo era pó esvoaçante.
Às seis, percebi que a tormenta tinha passado.
Sabe-se lá para onde... Deixando-me sem rastro.
Sem norte. Sem margem. Sem qualquer estrela no céu
Que pudesse me mostrar o caminho.
Meia hora depois, estava eu tentando tirar a poeira de mim
Batendo as mãos pelos ombros e braços, pelo peito aberto
E pernas cansadas. 
Levantei uma nuvem incomodada
Por ser conduzida em batidas. 
Limpei-me da tempestade.
Descobri-me humano, perdido no deserto
Por pura e inconstante distração.
Havia pontes em algum lugar que não foram atravessadas;
Estradas não percorridas;
Montes não escalados
E mentes não diluídas
Por estarem num deserto.
Pensamentos ressequidos, calcificados, 
Feito pedras que assombravam na escuridão.
Não se mexiam, mas sua simples presença
Causava pavor em quem tinha de ver ao longe
Os borrões das incertezas.
O fim da tempestade simboliza um recomeço.
Um recomeço difícil,
Que em em todo modo se delineia
Aos preâmbulos do sonhar.
Como é bom sonhar de novo! 
E caminhar em um deserto depois da tempestade
É acreditar nos sonhos mais uma vez.
Sabe-se que à frente pode haver muitas coisas,
Florestas, montanhas, mares e rios.
Ao todo, um espetáculo composto 
Por íris sem arcos, mas ecos
Que viajam pelos céus levando
As cores de um nova vida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se perdeu!

Prática Diária da Escrita: Dificuldade e Superação

Alguma Coisa Incomum