Lugar de Memórias
As coisas estão no lugar. Assim como eu também estou, sentado nesta cadeira, ouvindo música e escrevendo o futuro no presente; ventilador ligado, janela aberta, plantas nos vasos, casa varrida, roupa lavada, palavras escritas e sonhos sonhados. Janeiro atravessado, de ponta a ponta, aberto pelas entranhas de um ano que mal começou. Lembro-me do passado mas já não faço dele um lugar para habitar. É apenas a fumaça do incenso que queima ao meu lado. Perfume de rosas brancas. Mais uma vez: tudo está em devido e dileto lugar. A tarde perpassa pelo ambiente dizendo que o dia já está indo. Ele vai para onde eu já fui. Quando voltei, não sabia lidar com o presente. O passado estava pregado à alma do saudosista viajante do tempo. Sem sair do lugar, ele ia e vinha pelos anos acumulados. Nunca viveu a verdadeira aventura que é o agora. Percebo que memórias estáticas são ilusões. Apenas as que mudam são verdadeiras, porque assim vivem sua natureza na mais plena das formas. Muitas memórias que sem...