Jardim de Todo Mundo
Então, parece que as coisas se encontraram.
Que eu as fiz se encontrarem, umas com as outras, cada qual ao seu modo. E, mesmo descobrindo a fonte pela qual as palavras passarão a existir, não sinto vontade de escrever grandes coisas. Por isso, apesar do grande encontro, tudo continuou conforme sempre esteve. E assim continuará, pelo menos até onde minha imaginação consegue ir.
Que eu as fiz se encontrarem, umas com as outras, cada qual ao seu modo. E, mesmo descobrindo a fonte pela qual as palavras passarão a existir, não sinto vontade de escrever grandes coisas. Por isso, apesar do grande encontro, tudo continuou conforme sempre esteve. E assim continuará, pelo menos até onde minha imaginação consegue ir.
Talvez, quase certamente, o dito encontro tenha se transformado em uma singela centelha de angústia.
Por conta das férias chegando ao fim; da saudade que tomará o seu lugar; da espera por uma resposta; porta entreaberta, difícil de decifrar. Os dias estão quentes, o suor me desce a face, deixa meus óculos insuportáveis e, concomitantemente, essenciais. O que seria assim, conceito de polaridade no hermetismo, a mesma coisa: insuportável e essencial, extremos opostos de uma mesma linha.
Posso afirmar que estou perdido.
E que nada faz sentido.
E que estes parágrafos curtos são caprichos tentando fazer algo diferente para chamar atenção. Chamar a minha atenção. Eu, escondendo o jogo, falando de saudade sabendo que ela é a minha maior angústia. O que seria tão trágico quanto um escritor saudosista?
Tentei mudar. Nos últimos dias cortei as frases iniciais. Cortei os caprichos. Mas agora, para quê? Tudo está acabando mesmo.
Inclusive esta página branca, entediante, artificial, na qual escrevo coisas. São cadeados fechados cujas chaves se perderam.
Ah, lembrei-me de algo: estou a um mês de uma porta fechada. Será que ela se abrirá ao final do período? Se sim, tudo muda. Se não, mudam apenas algumas coisas. De qualquer forma, haverá mudanças. Grandes e pequenas. Elas já estão acontecendo. Não preciso de um mês. Preciso de um segundo. Menos. Preciso de um pensamento e: pronto! Tudo mudado.
Hoje o dia foi recheado de aventura. Por incrível que pareça. Passamos por uma ponte quase submersa. O rio estava transbordando com as chuvas torrenciais de ultimamente. Sabe o que foi mais interessante? O momento. O mais precioso dom concedido à humanidade: momentos.
Neste período de chuva, outra face me foi revelada em segredo. A questão das propriedades. Do desejo da exclusividade. Correntes e mais correntes que enlaçam a alma. Por que quero tanto um jardim próprio quando visito inúmeros jardins diariamente? Com lindas e cativantes flores, disponíveis à minha vista. Outro capricho! Eu não preciso de um jardim próprio uma vez que tenho todos os jardins do mundo.
Eu cuido deles. Posso plantar neles também. E o melhor de tudo: são repletos de momentos. De cores e flores que eu jamais imaginei conhecer.
Os passos dos outros são importantes para os meus passos. Consigo me guiar com pegadas. Não sou o único escritor que existe. E tudo o que escrevo já foi escrito com outras palavras; lido com outras interpretações. O que faço é mesmo isso: plantar uma flor no jardim de todo mundo.
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