A Montanha de meus Alvoreceres
Estou um tanto quanto esgotado. Sem cabeça para estudar ou consumir palavras. As palavras têm me cansado em demasia. Estariam elas fatigantes ou a gênese do ócio parte de mim, um ser qualquer caminhando sem rumo entre uma história e outra?
Há muito venho discorrendo sobre a ansiedade. Neste exato momento ela está controlada. Consegui plantar alguns pensamentos no solo de minha mente que germinaram em lindas flores coloridas. Se eu fechar os olhos, consigo vê-las.
Simplório jardim, de fato. Nada suntuoso. Apenas alguns ramos rasteiros de botões pendidos dançando ao vento aqui e ali. Em perfeita harmonia. Vez ou outra uma névoa os cobre e eu nada consigo avistar senão uma densa tonalidade acinzentada.
Eu não entendo o porquê do meu cansaço. Eu queria ter ânimo para ler mais; estudar e até mesmo escrever. Lindos poemas; textos envolventes; contos marcantes. Mas nada disso eu tenho em mãos. Só um vazio excêntrico, fantasiado de conteúdo primoroso.
Sequidão. Ah, mas vamos passar uma borracha nessa ladainha inconstante de pensamentos corrompidos. Hoje eu estou aqui. Sozinho, o relógio já marcou seis da tarde. Abri as cortinas para avistar o céu e lá estava ele: tons rosados estampados sob uma renda de nuvens escuras. Arte no firmamento.
Tenho me conhecido mais. E busco me encontrar em passos lentos de uma caminhada outonal. Nem falo mais sobre maus agouros ou mesquinharias. A vida ganhou novo sentido. E as palavras me fazem bem.
Quando comecei a escrever mais cedo pensei em quem eu era; ou em quem eu estive construindo em cima de mim mesmo. Nenhuma resposta encontrei. Apenas uma carta voando de montanha em montanha buscando o horizonte mais bonito. Uma carta já escrita. De letras bonitas. Mas fechada, sem nunca ter sido lida.
Pois eu sou esta carta. E nada perdi em minha vida senão o tempo em que me lamentei sobre as águas corridas do rio. Não tenho poder sobre elas. Que corram para o mar. Já eu seguirei voando até encontrar a montanha de meus alvoreceres.
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