Memórias Brincando
Quando tudo desaparecer,
Restando-me apenas memórias
De sóis iluminando dias de ventania;
Folhas desprendendo-se das árvores;
Passos lentos sem destino
E o relógio girando rápido demais,
Sentirei a áspera superfície dos papéis
Que não foram escritos
Por medo de dias construídos
Sob fundamentos instáveis.
São as memórias brincando,
Vestindo fantasias
Para assombrar as noites de insônia.
Quiseram elas ser fantasmas;
Verdadeiros fantasmas.
Não passam de sombras no escuro,
Invisíveis e irrelevantes.
Penso nas árvores do pomar
Avistadas da varanda;
Na grama bem cortada
Cintilando à luz do dia;
Nas flores do jardim,
Formosas bailarinas;
Se esses dias virão eu não sei.
Mas carrego comigo o frasco
Contendo as gotas de esperança
Colhidas no orvalho de uma fria manhã.
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